A fragilidade ética na decisão do CRM-PB: quando a agressão não é profissional, mas a punição deveria ser – 🗣️

31 jan 2024 - Paraíba

A fragilidade ética na decisão do CRM-PB — Foto: Divulgação

A decisão recente do Conselho Regional de Medicina da Paraíba (CRM-PB) em arquivar a sindicância contra o médico João Paulo Casado, flagrado em um elevador agredindo sua esposa, levanta questões cruciais sobre a ética profissional e a responsabilidade social dos médicos.

O CRM-PB alega que a agressão não ocorreu em ambiente profissional, portanto, não se enquadra em uma infração ao Código de Ética Médica Relacionada ao Exercício Profissional. Essa justificativa, contudo, parece ignorar que um médico, ao agredir alguém, independentemente do contexto, coloca em risco não apenas a integridade física da vítima, mas também a confiança na profissão médica como um todo.

O juramento feito na formação médica preconiza o compromisso com a preservação da vida e o respeito à dignidade humana. No momento em que um profissional da saúde se envolve em ações que ameaça a vida de outra pessoa, ele não apenas viola esse juramento, mas compromete a essência mesma da prática médica.

A justificativa de que o caso permanece na esfera criminal é válida, mas não deve excluir as instituições médicas de aplicarem punições éticas rigorosas. A agressão, especialmente quando é reincidente, não pode ser tolerada em uma sociedade que busca proteger os direitos humanos e erradicar a violência doméstica.

O papel dos conselhos de classe vai além de regulamentar questões meramente profissionais; eles têm a responsabilidade de preservar a integridade moral e ética da profissão. Ao arquivar a sindicância, o CRM-PB envia uma mensagem que pode ser interpretada como condescendência com a violência, enfraquecendo a confiança do público na autorregulação médica.

É imperativo que a sociedade exija uma postura mais firme e uma avaliação ética mais profunda dessas situações. A impunidade mina os esforços para construir uma cultura de respeito e igualdade, elementos essenciais para a integridade da prática médica e o bem-estar da sociedade.

Edcarlos Santana/ O Povo PB

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