Estudante da UEPB é identificado como suspeito de planejar atos de terrorismo e incitação ao ódio na Paraíba, aponta Polícia Federal

11 abr 2025 - Paraíba

Universidade Estadual da Paraíba (UEPB) — Foto: Edcarlos Santana/ Arquivo Pessoal

A Polícia Federal identificou como sendo um estudante de 19 anos, matriculado no curso de Biologia da Universidade Estadual da Paraíba (UEPB), o principal suspeito de planejar atos de terrorismo e incitação ao ódio dentro do campus da universidade em Campina Grande, no Agreste da Paraíba. O jovem foi alvo da Operação Leviatã, deflagrada na manhã desta sexta-feira (11), na cidade de Pocinhos.

De acordo com a Polícia Federal, o estudante investigado também é o autor de pichações e da fixação de cartazes com conteúdo extremista, espalhados por espaços de circulação da UEPB. As mensagens continham apologia a ideologias autoritárias e conteúdos de ódio com conotação racial e étnica.

A operação teve origem a partir de um relatório enviado pelo FBI (a polícia federal dos Estados Unidos), no mês de janeiro deste ano. O documento indicava atividades digitais suspeitas relacionadas à propagação de discurso de ódio e ideologias extremistas no Brasil. Com base nas informações repassadas, a PF conseguiu rastrear o estudante e reunir provas de suas atividades virtuais.

Apesar do envolvimento do estudante em atos dentro da universidade, como pichações e divulgação de cartazes com conteúdo preconceituoso, a investigação não partiu de denúncia formal da UEPB, mas sim da cooperação internacional com o FBI.

Cumprimento de mandado

Na manhã desta sexta-feira (11), policiais federais cumpriram um mandado de busca e apreensão, expedido pelo Juiz de Garantias da 16ª Vara Federal da Seção Judiciária da Paraíba. O mandado foi executado na residência do suspeito, em Pocinhos. Durante a abordagem, o jovem cooperou com as autoridades, entregando o celular, fornecendo senhas e indicando onde estavam as roupas utilizadas nas ações, conforme identificado em vídeos divulgados nas redes sociais.

Na operação, também foram apreendidos mídias digitais, dispositivos de armazenamento de dados e outros materiais que podem ser cruciais para o aprofundamento das investigações.

Posicionamento da UEPB

A Universidade Estadual da Paraíba divulgou, ainda em março, uma nota de repúdio ao episódio das pichações, manifestando-se contrária a qualquer conduta que represente “apologia ao fascismo, ao autoritarismo ou a ideologias que atentem contra os valores democráticos e os direitos fundamentais”. No entanto, a instituição ainda não se pronunciou oficialmente sobre a identificação do estudante.

Operação Leviatã

A Operação Leviatã, conduzida pela Polícia Federal, visa reprimir atos preparatórios de terrorismo e crimes de ódio no ambiente digital. A ação reforça o combate ao extremismo violento e à propagação de ameaças contra a segurança nacional, principalmente quando associados a ambientes acadêmicos e instituições públicas.

O estudante será ouvido nos próximos dias pela Polícia Federal, e as investigações seguem em andamento para identificar possíveis coautores ou cúmplices.

O POVO PB

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