Jovem paraibana atropelada no Rio de Janeiro tem coração transplantado com sucesso em criança

22 dez 2024 - Paraíba

Priscila Marques Monteiro, de 27 anos, morreu atropelada no Rio — Foto: Divulgação

A tragédia que vitimou a paraibana Priscila Marques Monteiro, de 27 anos, transformou-se em um gesto de esperança para outras vidas. Após ser atropelada por um ônibus enquanto atravessava uma faixa de pedestres no bairro da Glória, no Rio de Janeiro, no dia 7 de dezembro, a jovem teve morte encefálica confirmada nove dias depois, no último dia 17.

Em meio à dor, a família tomou a decisão de doar seus órgãos, e o coração de Priscila foi transplantado com sucesso em uma criança que aguardava na fila.

Formada em Jornalismo pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB), Priscila estava no Rio de Janeiro para realizar o sonho de conhecer a cidade e visitar amigos. Pouco antes do acidente, ela havia feito uma chamada de vídeo para o pai, Orton Monteiro, compartilhando sua alegria.

“Ela estava muito feliz. Estava no hotel vendo o Cristo Redentor, realizando um sonho. As últimas palavras que disse a ela foram ‘filha, como você está linda! Como Salvador te fez bem”, relembrou o pai.

Priscila, que morava em Salvador há seis meses, era descrita como uma pessoa amorosa, prudente e atenta. Vegana e protetora dos animais, sua família destacou que a doação dos órgãos era um reflexo de sua personalidade humanitária. Além do coração, o fígado da jovem também foi doado.

“Pela personalidade dela, pelo caráter e pela humanidade, decidimos que ela ficaria muito feliz em doar”, declarou Orton.

Segundo testemunhas, o ônibus avançou o sinal vermelho enquanto Priscila atravessava na faixa de pedestres com uma bicicleta alugada. O impacto foi tão forte que quebrou o para-brisa do veículo. A jovem sofreu traumatismo craniano e múltiplas fraturas, sendo levada ao Hospital Municipal Miguel Couto, onde ficou internada na UTI até o falecimento.

O caso gerou indignação entre familiares e amigos. “Minha filha era muito prudente. Ela jamais atravessaria sem segurança. O que mais me chocou foi que nem o ônibus, nem a bicicleta foram periciados após o acidente”, afirmou o pai.

O motorista envolvido foi ouvido na 9ª DP (Catete) e liberado em seguida. Até o momento, a empresa responsável pelo ônibus não entrou em contato com a família, segundo relatos.

A Secretaria Municipal de Transportes solicitou esclarecimentos ao consórcio responsável pelo veículo e medidas para prevenir condutas semelhantes.

O corpo de Priscila foi sepultado neste sábado (21), em Campina Grande, sua cidade natal. Familiares e amigos se reuniram para prestar as últimas homenagens à jovem, lembrada por sua sensatez, carinho e paixão por explorar novos lugares.

Camila Leoncio, amiga da vítima, destacou o quanto Priscila era prudente: “Ela era extremamente cautelosa. Esse acidente não condiz com o comportamento dela”.

O ato de doação dos órgãos, especialmente o coração transplantado em uma criança, é visto pela família como uma forma de transformar a dor em um legado de vida.

“A Priscila era luz, era amor. Tenho certeza de que ela ficaria feliz em saber que pôde salvar outras vidas”, concluiu o pai.

O POVO PB

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