Morre Antônio Barros, ícone da música nordestina, aos 95 anos na Paraíba

6 abr 2025 - Paraíba

Morre Antônio Barros, ícone da música nordestina, aos 95 anos na Paraíba — Foto: Reprodução

O cantor e compositor paraibano Antônio Barros faleceu neste domingo (6), aos 95 anos, em João Pessoa. Um dos maiores nomes da música nordestina, ele deixou um legado de mais de 700 canções, muitas delas em parceria com sua esposa e parceira artística Cecéu. Entre os sucessos, estão os clássicos “Homem com H”, “Bate Coração” e “Procurando Tu”, imortalizados nas vozes de artistas como Elba Ramalho, Fagner, Luiz Gonzaga, Ney Matogrosso, Gilberto Gil e outros grandes nomes da música brasileira.

Segundo a família, o artista enfrentava há anos a doença de Parkinson, o que comprometeu sua saúde progressivamente. Um dos agravantes foi uma broncoaspiração, decorrente da dificuldade de deglutição, que exigiu longa internação hospitalar desde o início de 2025.

O velório ocorre a partir das 13h deste domingo, no Parque das Acácias, em João Pessoa. O sepultamento está marcado para as 17h, no mesmo local.

De Queimadas para o Brasil

Nascido em 1930, na cidade de Queimadas, no interior da Paraíba, Antônio Barros iniciou sua trajetória musical ainda jovem, aprendendo a tocar violão com o tio Adauto. Anos mais tarde, já morando em Campina Grande, conheceu a cantora Mary Maciel Ribeiro, que se tornaria sua parceira de vida e palco, adotando o nome artístico de Cecéu.

Em 1971, após meses de amizade e troca de composições, o casal decidiu formar uma dupla e se mudou para o Rio de Janeiro, onde consolidaram a carreira e emplacaram diversos sucessos nos ritmos do forró, xote e baião. Gravaram um disco de música romântica sob os nomes Tony e Mary, mas foi no forró que conquistaram o Brasil.

Sucessos e reconhecimento

Antônio Barros e Cecéu são autores de músicas que se tornaram hinos populares e carnavalescos. Entre elas, destacam-se:

  • “Por Debaixo dos Panos”
  • “Bate Coração”
  • “Forró do Poeirão”
  • “Óia Eu Aqui de Novo”
  • “Forró do Xenhenhém”

As composições da dupla foram gravadas por nomes como Luiz Gonzaga, Trio Nordestino, Os Três do Nordeste, Marinês, Alcione, Jorge de Altinho, Ney Matogrosso e Elba Ramalho, entre tantos outros.

Em 2021, a obra de Antônio Barros e Cecéu foi oficialmente reconhecida como patrimônio cultural imaterial da Paraíba, por meio de uma lei de autoria da então deputada estadual Estela Bezerra. “Eles representam a própria essência do povo nordestino. Suas composições atravessam gerações como a melhor expressão da nossa gente, da nossa terra e do nosso espírito paraibano e nordestino”, afirmou a parlamentar na justificativa da proposta.

Legado eterno

Mesmo após conquistar o sucesso nacional, o artista nunca perdeu a ligação com sua terra natal. “Estava escrito nas estrelas”, disse Cecéu em entrevista ao G1 em 2020, ao lembrar o início do relacionamento com Antônio. “Nos conhecemos em Campina Grande. Ele me convidou para formar uma dupla e, desde então, nunca mais nos separamos”.

O POVO PB

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