MP aponta falhas estruturais e sanitárias na Bica e cobra explicações após morte de jovem atacado por leoa

4 dez 2025 - Paraíba

Bica segue fechada após morte de jovem — Foto: Divulgação

O Ministério Público da Paraíba (MPPB) vai solicitar informações a diversos órgãos da administração municipal e ambiental sobre supostas irregularidades no Parque Zoobotânico Arruda Câmara (Bica), em João Pessoa. A medida, anunciada nesta quarta-feira (3), ocorre após a morte do jovem Gerson de Melo Machado, de 19 anos, que invadiu o recinto de uma leoa no último domingo (30) e foi atacado pelo animal.

A ação foi determinada pelo promotor Edmilson de Campos Leite Filho, com base em dois relatórios técnicos que apontam problemas estruturais, sanitários e ambientais no parque — documentos produzidos antes do ataque.

O primeiro estudo citado pelo MP é de autoria da UFPB, por meio do Núcleo de Justiça Animal, e elaborado em 2024. O relatório menciona:

  • risco ambiental no entorno da Bica;

  • manejo inadequado da fauna;

  • problemas hidrossanitários;

  • presença de animais domésticos nos recintos;

  • falhas estruturais e possíveis contaminações hídricas.

O segundo relatório, da Sudema, foi produzido após vistoria realizada em agosto e concluído em setembro. O órgão registrou agravamento das irregularidades, incluindo:

  • furtos de duas araras-vermelhas;

  • morte de um animal silvestre;

  • alegações de descaso sanitário;

  • negligência no manejo dos animais cativos.

O Parque Arruda Câmara informou que divulgará nota sobre o caso nesta quinta-feira (4).

“Cenário de risco ambiental significativo”, diz MP

Segundo o promotor Edmilson Campos, as conclusões da Sudema indicam um conjunto de falhas “que comprometeriam a integridade ambiental, a saúde pública e o bem-estar animal”.

A vistoria apontou problemas como:

  • rede de esgoto antiga e sem manutenção;

  • infiltrações severas;

  • perda de pressão hídrica;

  • resíduos sólidos em canal possivelmente ligados a ligações clandestinas;

  • lixo armazenado a céu aberto;

  • manejo inadequado de resíduos infectantes;

  • entrada descontrolada de resíduos externos;

  • apenas 4 das 32 câmeras de segurança funcionando.

Em relação aos animais, o relatório cita:

  • falhas na marcação individual;

  • ausência de microchipagem obrigatória;

  • inconsistências no Sisfauna;

  • falta de atualização sobre nascimentos, mortes e furtos desde fevereiro.

Órgãos serão oficiados

Além da direção da Bica, o MP solicitará informações a:

Semam-JP

  • plano de ação para corregir falhas estruturais;

  • medidas para impedir entrada de animais domésticos;

  • plano de manejo de resíduos;

  • ações de fiscalização no entorno;

  • restauração das câmeras de vigilância.

Sudema

  • monitoramento da possível contaminação da lagoa;

  • ações de responsabilização;

  • necessidade de novo laudo.

Vigilância Sanitária

  • medidas adotadas após vistoria;

  • providências pendentes;

  • parecer sobre riscos à saúde pública.

Cagepa

  • informações sobre ligações clandestinas e despejos irregulares.

Sedurb

  • diagnóstico completo de infraestrutura;

  • cronograma de obras;

  • equipes e contratos responsáveis;

  • detalhamento sobre modernização de recintos e instalações.

O MP também mantém outra investigação para acompanhar as medidas adotadas pela Prefeitura após a morte do jovem.

O POVO PB

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