Pediatra nega acusações de abuso sexual em depoimento à Polícia Civil

15 ago 2024 - Paraíba

Mulher denuncia abuso na infância pelo pediatra suspeito de estuprar menina de 9 anos — Foto: Reprodução

O pediatra Fernando Paredes Cunha Lima negou em depoimento à Polícia Civil, na última sexta-feira (9), ter abusado sexualmente de crianças durante atendimentos médicos, assim como de uma sobrinha na década de 1990. O médico, que foi indiciado nesta terça-feira (13) por estupro de vulnerável contra quatro crianças com idades entre 4 e 13 anos, afirmou que cessou suas atividades médicas e fechou a clínica em João Pessoa, além de suspender atendimentos em Sapé após as denúncias virem a público.

Conforme o depoimento, ao qual o Jornal da Paraíba teve acesso, Cunha Lima negou ter tocado as partes íntimas de uma das vítimas, uma menina de 9 anos, alegando que o toque ocorreu na altura da bexiga e não na região íntima. Contudo, a criança e sua mãe relataram à polícia que o abuso ocorreu conforme descrito na denúncia.

Além disso, o médico afirmou que não utilizou o cotovelo para tocar as partes íntimas das crianças durante a ausculta pulmonar, como foi alegado por três das vítimas. Para a Polícia Civil, essas denúncias configuram um “modus operandi” do pediatra.

Cunha Lima também negou ter abusado de sua sobrinha, Gabriella Cunha Lima, quando ela era criança, apesar das acusações da vítima e de outras duas sobrinhas que relataram terem sido abusadas durante as férias na casa de praia do médico na década de 1990. Elas também afirmaram que outra menina, que frequentava o local, foi vítima de abuso, embora não tenha formalizado a denúncia.

Com a repercussão do caso, o médico fechou o consultório particular onde atendia em João Pessoa, no bairro de Tambauzinho, e suspendeu os atendimentos em uma clínica particular em Sapé, conforme declaração protocolada a pedido do próprio pediatra. Uma equipe da TV Cabo Branco esteve no local e constatou que o consultório estava fechado e sem identificação.

O caso começou a ser investigado pela Polícia Civil após a primeira denúncia formal de estupro de vulnerável, registrada no dia 25 de julho. A mãe da vítima, que presenciou o suposto abuso no consultório, retirou os filhos do local imediatamente e denunciou o caso na Delegacia de Repressão aos Crimes contra a Infância e a Juventude.

Em decorrência das investigações, o Conselho Regional de Medicina da Paraíba (CRM-PB) abriu uma sindicância para apurar as denúncias, enquanto a Associação dos Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae), da qual Fernando Cunha Lima era diretor, decidiu suspender o médico de suas funções diretivas.

Na última sexta-feira, após faltar duas vezes ao depoimento, Cunha Lima compareceu à delegacia e apresentou sua versão dos fatos. Na saída, o pediatra afirmou à imprensa que não comentaria a investigação. Um dia antes, sua defesa havia emitido uma nota declarando a inocência do médico e alegando que ele estava sendo “acusado injustamente”.

O POVO PB

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