Uso de armas de gel por crianças acende alerta na Paraíba: autoridades discutem medidas de controle

12 dez 2024 - Paraíba

Polícia apreende armas de bala de gel e prende jovens após criança ser atingida em João Pessoa — Foto: Reprodução

O crescente uso de armas de gel por crianças e adolescentes na Paraíba está levantando preocupações de segurança pública e chamando a atenção de autoridades estaduais. Apesar de parecerem inofensivas, essas armas, que simulam disparos com balas de gel, têm gerado debates sobre seu impacto no estímulo à violência e na possibilidade de acidentes.

Nesta quinta-feira (12), o comandante Ferreira, responsável pelo policiamento da Zona Sul de João Pessoa, informou que a Polícia Militar já apreendeu oito dessas armas na região de Mangabeira. Segundo o comandante, elas foram classificadas como contrabando, possivelmente vindas da China, sem qualquer documentação fiscal. “Não há alinhamento sobre como proceder em relação a essas armas. Precisamos discutir isso para evitar tragédias futuras”, afirmou Ferreira.

Armas de gel: brinquedo ou ameaça?

Embora as armas de gel sejam amplamente vendidas como brinquedos, desde 2021, o Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro) não as reconhece mais nessa categoria. Segundo o Estatuto do Desarmamento, a fabricação, venda e comercialização de réplicas e simulacros de armas é proibida.

Arthur Gaudino, presidente do IMEC Paraíba, destacou que o órgão intensificará as fiscalizações por meio da operação “Segura Natal”, que visa garantir que produtos como brinquedos e armas de gel sigam as normas regulamentadoras. “Caso sejam encontradas em estabelecimentos que comercializam brinquedos, essas armas serão apreendidas”, declarou.

No entanto, há divergências sobre o perigo das armas de gel. Enquanto o Exército as classifica como de “baixa velocidade e curto alcance”, minimizando os riscos, casos registrados em Pernambuco indicam o contrário. Apenas neste ano, 68 pessoas foram atendidas em hospitais especializados em visão no estado vizinho devido a ferimentos causados por essas armas. Em cidades como Paulista e Olinda, a venda já foi proibida.

Especialistas alertam que, além dos ferimentos, o uso das armas de gel pode gerar confusão devido à semelhança com armas reais, especialmente em situações públicas. A falta de alinhamento nas ações das autoridades da Paraíba também preocupa. Segundo Ferreira, é necessário um protocolo claro para orientar as forças de segurança sobre a abordagem em casos envolvendo crianças e adolescentes com esses itens.

Para pais e responsáveis, a recomendação é de cautela. O uso dessas armas, apesar de ser vendido como diversão, pode colocar a segurança das crianças em risco e gerar implicações legais para os adultos envolvidos.

A discussão deve continuar nos próximos meses, com a possibilidade de medidas mais severas, incluindo a proibição de comercialização no estado, a exemplo do que ocorreu em Pernambuco.

 O POVO PB

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