Guerra entre facções criminosas impulsiona aumento de homicídios na Grande João Pessoa

28 abr 2024 - Paraíba

Ônibus fica destruído após ser incendiado e quatro pessoas ficam feridas, em João Pessoa — Foto: Reprodução

Uma escalada crescente de violência na Região Metropolitana de João Pessoa, impulsionada pela disputa entre facções criminosas pelo controle do tráfico de drogas. Conforme a Polícia Civil, a guerra entre grupos rivais tem sido apontada como uma das principais causas para o aumento significativo do número de assassinatos nas cidades de Bayeux, Cabedelo e na capital paraibana.

Dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública revelam um cenário alarmante: em comparação entre 2022 e 2023, Cabedelo registrou um crescimento de 377% no número de homicídios, totalizando 52 casos; Bayeux teve um aumento de 19,4%, com 79 mortes; enquanto João Pessoa apresentou uma elevação de 14,29%, contabilizando 375 assassinatos.

Os três primeiros meses de 2024 também trouxeram surtos, com 55 mortes registradas em João Pessoa, 21 em Cabedelo e 18 em Bayeux. Segundo as autoridades policiais, essas cidades são alvos de uma facção criminosa oriunda do Rio de Janeiro: o Comando Vermelho.

O Comando Vermelho se distribuía na Paraíba em busca do controle do tráfico de drogas na região metropolitana, contando com o apoio da facção local conhecida como Estados Unidos. O objetivo é enfrentar e suplantar a facção rival Nova Okaida.

Para o delegado Diego Garcia, da Polícia Civil, a estratégia das facções criminosas envolve não apenas uma disputa territorial, mas também a imposição de um estado de terror por meio de diversos crimes, incluindo o tráfico de drogas, homicídios e expulsões de moradores.

“A facção que tenta hoje o predomínio aqui na Paraíba atua em um primeiro momento em forma de combate. O objetivo deles é justamente eliminar a facção com maior poderio até o momento, mas a partir do instante em que eles estabelecem essa predominância começa a realizar diversos outros crimes. Começam por essas expulsões de moradores, pelas cobranças indevidas e até mesmo os crimes de tráfico de drogas e homicídios que são os mais característicos”, disse o delegado.

A atuação desses grupos gerou um cenário de extrema violência, como evidenciado pelo ataque a um ônibus em João Pessoa no ano passado, planejado pelo Comando Vermelho para incriminar a facção Nova Okaida.

“Eles atuam com a expulsão de moradores que às vezes não tem relação com o mundo do crime, mas apenas porque alguns dos seus familiares têm essa relação. Ou seja, eles apenas querem aquele espaço usado pela família. Além de entrarem em constante guerra, tanto com policiais como com outros integrantes, o que faz por vezes inocentes serem atingidos”, ressaltou.

O pesquisador Bruno Paes Manso, do Núcleo de Estudos da Violência da USP, destaca que o mercado do tráfico de drogas é altamente competitivo e que o aumento do domínio da violência é uma consequência direta da concorrência pelo territorial.

“Eles miram dinheiro, miram lucro. Então quando tem uma facção rival, eles vão para o confronto, assim como os demais grupos. Na narcoeconomia, quando você tem um mercado competitivo, com grupos do mesmo tamanho, disputando o poder e o mercado, como não existe mediador, esse poder é buscado pela violência”, considerou o especialista.

As altas taxas de homicídios na Região Metropolitana de João Pessoa refletem, portanto, o desequilíbrio e a intensificação dessa disputa pelo controle do mercado de drogas.

“Atualmente, esses crescimentos intensos em períodos curtos, de um ano, por exemplo, acabam sendo um termômetro do equilíbrio ou do desequilíbrio do mercado de droga, porque quando você tem um crescimento muito rápido, sem que existam grandes mudanças estruturais na sociedade, muitas vezes a violência está ligada a domínios territoriais e círculos de vingança”, disse.

Até o momento, a Secretaria de Estado da Segurança e da Defesa Social da Paraíba não se pronunciou sobre o assunto. A Polícia Federal também optou por não comentar a situação.

O Povo PB com g1

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