Investigações apontam interferência de facções criminosas nas eleições municipais de João Pessoa

21 ago 2024 - Paraíba

PF — Foto: Divulgação

A Polícia Federal e a Polícia Civil da Paraíba estão conduzindo investigações paralelas sobre uma possível interferência de facções criminosas nas eleições municipais de João Pessoa. A informação foi confirmada nesta quarta-feira (21) pelo superintendente da Polícia Civil da Paraíba, delegado Cristiano Santana. Segundo ele, a investigação busca identificar quais grupos estariam envolvidos, enquanto a parte de crime eleitoral é de competência exclusiva da Polícia Federal.

O caso veio à tona após o candidato a prefeito Ruy Carneiro (Podemos) relatar que foi impedido de participar de uma plenária em um circo na comunidade Boa Esperança, no bairro do Cristo. De acordo com Carneiro, a ordem para cancelar o evento teria partido de membros de facções criminosas, que teriam preferência por outro candidato. O proprietário do circo teria manifestado temor em relação à atuação dos criminosos e afirmado que a ordem era para “passar atirando” caso o evento ocorresse.

Ruy Carneiro registrou um Boletim de Ocorrência na Cidade da Polícia, acompanhado de sua candidata a vice-prefeita, Amanda CSI (MDB). A Delegacia de Repressão a Entorpecentes, sob responsabilidade do delegado Allan Terruel, iniciou a investigação sobre a possível atuação do tráfico de drogas na área. No entanto, o dono do circo negou qualquer pressão de traficantes, alegando que acreditava que se tratava de um evento circense e que optou por cancelar a plenária por receio de infringir a legislação eleitoral.

A situação preocupa outros candidatos à prefeitura de João Pessoa. Marcelo Queiroga (PL), ex-ministro e candidato, manifestou preocupação com a interferência do crime organizado e solicitou apoio das autoridades. Luciano Cartaxo (PT) também expressou apreensão, destacando que a população das comunidades vive amedrontada pela opressão das facções e que isso tem impactado o processo eleitoral.

Yuri Ezequiel (UP), outro candidato à prefeitura, mencionou que, apesar de estar ciente das investigações, não enfrentou interferências durante suas visitas às comunidades. Já Camilo Duarte, candidato pelo PCO, adotou uma postura crítica em relação à intervenção policial nas comunidades, defendendo a descriminalização das drogas como solução para o problema.

A assessoria do prefeito Cícero Lucena (PP), candidato à reeleição, foi contatada, mas até o momento não respondeu aos questionamentos.

O Povo PB

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