Peixe-leão: espécie invasora ameaça ecossistema e preocupa especialistas no Litoral paraibano

19 dez 2024 - Paraíba

Peixe-leão: espécie invasora ameaça ecossistema e preocupa especialistas no Litoral paraibano — Foto: Agência Brasil/Divulgação

A presença do peixe-leão, uma espécie exótica e invasora, está causando alerta no litoral da Paraíba. Sem predadores naturais e com alta capacidade de reprodução, o animal representa riscos para o equilíbrio ambiental e para os seres humanos. A Sudema (Superintendência de Administração do Meio Ambiente) apresentou nesta quinta-feira (19) os resultados das ações de monitoramento e captura realizadas ao longo de 2023 e 2024, além de discutir medidas para conter a supervisão da espécie.

Originário do Oceano Pacífico, o peixe-leão começou a ser avistado na costa paraibana no início de 2023. Desde então, a Sudema, em parceria com clubes de mergulho e universidades, vem monitorando e capturando os animais.

Segundo Marcelo Cavalcante, superintendente da Sudema, o leão-leão é um peixe predador voraz que consome diversas menores espécies, reduzindo a biodiversidade marinha. “É uma espécie que se reproduz rapidamente, colocando milhares de ovos na natureza, o que dificulta o controle apenas pela captura. Além disso, seus espinhos venenosos representam perigo para banhistas e pescadores”, alertou.

Leandro Silvestre, chefe da divisão de fauna da Sudema, destacou que a reprodução acelerada da espécie e a ausência de espécies naturais são os principais fatores de preocupação. “Esse peixe não é identificado como presa por outros animais locais, o que permite sua regulamentação descontrolada. Além disso, os danos ao ecossistema marinho podem ser irreversíveis se não forem tomadas medidas efetivas”, explicou.

Para os seres humanos, o veneno presente nos espinhos do peixe-leão pode causar dor intensa, surto e, em casos mais graves, complicações como taquicardia. Embora não seja letal, o contato com o animal pode gerar desconfortos significativos e requer atenção médica.

Até novembro de 2024, 16 exemplares de peixe-leão foram capturados no litoral paraibano, todos adultos. No entanto, há relatos de outras capturas feitas por pescadores, mas que não chegaram à Sudema para análise científica.

As capturas são realizadas por mergulhadores especializados, conforme explicado Livon Eox, do clube de mergulho parceiro da Sudema. “Utilizamos equipamentos específicos para evitar acidentes. Após a captura, os exemplares são direcionados para estudos na UFPB, onde são analisados ​​aspectos como maturidade sexual e dieta“, detalhou.

A recomendação para banhistas e pescadores é evitar qualquer contato com o animal e, ao avistá-lo, notificar imediatamente as autoridades

O POVO PB

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