Bebê indígena warao morto em João Pessoa apresentava queimaduras e infecção fúngica, aponta IML

30 abr 2025 - Paraíba

Hospital Arlinda Marques — Foto: Divulgação

A necropsia realizada no corpo do bebê indígena warao, de origem venezuelana, que morreu na última segunda-feira (28), em João Pessoa, identificou sinais de queimaduras e infecções fúngicas, além de negligência e maus-tratos, segundo laudo divulgado nesta quarta-feira (30) pelo Instituto de Medicina Legal (IML).

De acordo com Flávio Fabres, chefe do IML, a causa da morte foi uma infecção pulmonar grave, que evoluiu rapidamente para infecção generalizada (sepse). O caso, considerado extremamente grave, está sendo acompanhado pelas autoridades de saúde e deverá ser analisado pela Polícia Civil, que poderá instaurar um inquérito nos próximos dias, após o recebimento do laudo final da perícia.

A criança, um bebê de um ano e dois meses, pertencia à etnia warao, grupo indígena originário da Venezuela. Ele vivia com a família no abrigo Vila do Lula, localizado no bairro do Roger, em João Pessoa, que acolhe imigrantes e refugiados venezuelanos.

Segundo a Secretaria de Estado da Saúde (SES-PB), o bebê foi encaminhado na noite do domingo (27) ao Hospital Arlinda Marques, apresentando sinais evidentes de desnutrição, lesões corporais e infecção grave. A mãe da criança relatou à equipe médica que ele havia recebido apenas uma dose de vacina, evidenciando um grave atraso vacinal.

Durante o atendimento, os profissionais de saúde identificaram falência circulatória, o que levou à realização de um procedimento emergencial para administrar medicamentos e fluidos diretamente na medula óssea. O bebê foi intubado e transferido para a Unidade de Terapia Intensiva Pediátrica (UTI), mas não resistiu.

O corpo da criança foi entregue à família para os procedimentos fúnebres. O Serviço Pastoral dos Migrantes (SPM), entidade responsável pela administração de abrigos para imigrantes na capital, informou que não tinha conhecimento do resultado da necropsia e não se pronunciou oficialmente até a última atualização desta matéria.

O caso levanta preocupações sobre a vulnerabilidade social e sanitária de imigrantes indígenas na Paraíba, em especial os warao, que frequentemente enfrentam barreiras de acesso à saúde, saneamento, vacinação e condições adequadas de habitação.

A Secretaria de Saúde de João Pessoa, a SES-PB, o Ministério Público da Paraíba (MPPB) e o Conselho Tutelar foram procurados para comentar o caso e informar se medidas emergenciais estão sendo adotadas para evitar novas tragédias.

Por O POVO PB

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