Vereadora Jailma repudia ‘tranquilidade’ da Secretária de Educação de João Pessoa em caso de suposto abuso contra aluno autista
15 nov 2025 - Paraíba / Política
Vereadora Jailma Carvalho (PSB) — Foto: Divulgação
A vereadora Jailma Carvalho (PSB), de João Pessoa, utilizou suas redes sociais para manifestar profunda indignação contra a Secretária Municipal de Educação, América de Castro, após a gestora afirmar que acompanha “com tranquilidade” a denúncia de suposta violência sexual sofrida por um estudante autista em uma escola da rede municipal.
A secretária, em declaração feita nesta sexta-feira (14), tratou o caso como “uma suspeita” e levantou a hipótese de que o crime possa ter ocorrido fora do ambiente escolar, questionando ainda o fato de a criança não ter retornado à escola no dia seguinte.
“Me causa profunda indignação ouvir da secretária de Educação de João Pessoa que acompanha a denúncia de violência sexual sofrida por um estudante autista dentro de uma escola municipal ‘com tranquilidade’. […] Todos os pais que têm filhos matriculados na rede municipal de ensino exigem – e merecem – resposta à altura da gravidade do caso, incluindo a família da vítima,” publicou a vereadora Jailma Carvalho.
A parlamentar foi enfática ao repudiar a insinuação de que os pais teriam errado ao não levar a criança de volta à escola. “Será que ela realmente acredita que aquele menino que afirma ter sido violentado dentro da escola, deveria voltar ao mesmo lugar que o machucou? […] esse não é o momento para tranquilidade. É hora de agir com responsabilidade e compromisso com as nossas crianças e adolescentes,” criticou Jailma.
América de Castro negou que a Secretaria tenha sido procurada pela família para denunciar o fato. “A gente acompanha com muita tranquilidade, porque não vamos falar em estupro, é suspeita. É suspeita porque pode não ter acontecido dentro da escola,” declarou a secretária, acrescentando que tomou conhecimento do caso pela imprensa. Ela também afirmou que funcionários e cuidadores da escola não tiveram ciência do ocorrido e que a mãe não compareceu para conversar com a psicóloga da unidade.
Por outro lado, a defesa da família da criança, um estudante de 12 anos com Transtorno do Espectro Autista (TEA) alega que houve negligência por parte da direção da escola e do Conselho Tutelar. O advogado Ricardson Dias afirmou que a mãe procurou a escola e o Conselho Tutelar “por diversas vezes”, mas não obteve a devida atenção, tendo buscado, em seguida, apoio em outras instituições.
“A mãe procurou a escola, ela não levou muito a sério. Procurou o Conselho Tutelar por diversas vezes e o Conselho Tutelar supostamente colocou dificuldades,” disse o advogado.
O caso, que teria ocorrido no banheiro da escola por alunos mais velhos, está sob investigação da Polícia Civil. O estudante e seus pais foram ouvidos, e o adolescente foi encaminhado para uma escuta especializada. Um exame para constatar o abuso foi realizado nesta quinta-feira (13). A Polícia Civil informou que aguarda os resultados para dar prosseguimento ao inquérito. O nome da instituição de ensino foi preservado para proteger a identidade da vítima.
O POVO PB
Polícia Civil investiga estupro de adolescente autista dentro de escola municipal em João Pessoa
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