A Câmara Criminal do Tribunal de Justiça da Paraíba (TJ-PB) decidiu, nesta terça-feira, 3 de…
Padre da Paraíba pede desculpas à família de Preta Gil após fala sobre religiões afro
18 maio 2026 - Notícias
Padre Danilo César — Foto: Reprodução
O padre Danilo César, da paróquia de Areial, no Agreste paraibano, pediu desculpas públicas à família da cantora Preta Gil após declarações feitas durante uma missa, em 2025, sobre a morte da artista e religiões de matriz africana. O pedido faz parte de um acordo firmado na Justiça Cível do Rio de Janeiro.
A retratação aconteceu durante uma homilia celebrada no último domingo (10), Dia das Mães, e foi transmitida ao vivo pelo YouTube da paróquia, no mesmo ambiente onde as declarações haviam sido feitas anteriormente.
Durante a leitura do texto acordado judicialmente, o religioso reconheceu que as falas foram ofensivas e inadequadas.
“Reconheço que, na homilia proferida em 27 de julho de 2025, minhas palavras foram ofensivas, inadequadas e que, por minha imprudência, causaram dor aos familiares de Preta Gil”, declarou o padre.
Na retratação, Danilo César também citou diretamente nomes da família Gil, entre eles Gilberto Gil e Flora Gil, além de defender o respeito às diferentes manifestações religiosas.
“A liberdade religiosa é um dos pilares dos direitos humanos”, afirmou o sacerdote, acrescentando que todas as pessoas devem ser respeitadas, independentemente da crença.
O acordo firmado evitou que o padre pagasse uma indenização de R$ 370 mil por danos morais. Além do pedido público de desculpas, ele também deverá doar oito cestas básicas a uma instituição social. A Diocese de Campina Grande também integra o termo firmado com a família.
O caso ganhou grande repercussão nacional após uma missa transmitida pela internet, em julho do ano passado. Na ocasião, o padre questionou a fé da cantora após sua morte por câncer colorretal.
“Cadê esses orixás que não ressuscitaram Preta Gil?”, disse durante a celebração.
As declarações foram consideradas intolerantes por representantes de religiões de matriz africana e motivaram denúncias no Ministério Público Federal (MPF).
Além do acordo cível, Danilo César também firmou um Termo de Ajustamento com o MPF para evitar responder criminalmente. Entre as medidas impostas estão participação em ato inter-religioso, cursos sobre intolerância religiosa, produção de resenhas manuscritas sobre cultura afro-brasileira e pagamento de R$ 4,8 mil para uma associação de apoio a comunidades afrodescendentes.
Em fevereiro deste ano, durante um encontro inter-religioso previsto no acordo, Gilberto Gil participou remotamente e classificou as declarações do padre como uma “agressão”.
O POVO PB
Acompanhe as notícias do POVOPB pelas redes sociais: Instagram e Twitter.






