Delegado preso por desvio de drogas teria ido à delegacia buscar dinheiro do tráfico, aponta investigação

4 jun 2026 - Notícias

Decisão da Justiça revela que Braz Morroni teria recebido parte dos lucros de drogas desviadas; esquema investigado movimentava valores ligados ao tráfico e contava com policiais civis — Foto: Divulgação

A investigação que levou à prisão do delegado da Polícia Civil da Paraíba, Braz Morroni, revelou um dos trechos mais impactantes da Operação Perfídus: segundo decisão judicial, o delegado teria ido pessoalmente a uma delegacia para recolher sua parte do dinheiro obtido com a venda ilegal de drogas desviadas de apreensões policiais.

Os detalhes constam na decisão que autorizou os mandados de prisão e busca e apreensão cumpridos na última terça-feira (2), em João Pessoa. Ao todo, nove pessoas foram presas, entre policiais civis e suspeitos de integrar uma organização criminosa investigada por tráfico de drogas, corrupção e vazamento de informações sigilosas.

De acordo com a apuração, os investigadores Everton Rychelyson da Silva Aires, conhecido como “Bomba” ou “Bombado”, e Eduardo Jorge Ferreira do Egito, o “Mão Branca”, teriam discutido a possibilidade de ocultar do delegado uma negociação que envolvia R$ 18 mil provenientes da venda de drogas desviadas.

Conforme o documento, em 8 de dezembro de 2025, Everton teria reclamado de cobranças feitas por Braz Morroni e planejado não repassar ao delegado a quantia que seria destinada a ele. O objetivo, segundo a investigação, era reter o valor e reinvesti-lo no tráfico.

No entanto, a Justiça aponta que, 22 dias depois, Braz Morroni compareceu pessoalmente à delegacia para recolher sua suposta parte do dinheiro.

Transferências e divisão de lucros

A decisão também cita movimentações financeiras consideradas suspeitas entre integrantes do grupo. Segundo os investigadores, foram identificadas transferências realizadas por Everton Aires para contas ligadas ao delegado, além de conversas interceptadas que indicariam a reserva de parcelas dos lucros obtidos com o comércio ilegal de drogas.

Ainda de acordo com a Polícia Civil, Braz Morroni teria utilizado sua posição hierárquica para dar suporte institucional ao esquema, cobrando agilidade na recuperação de valores de drogas vendidas a prazo e recebendo repasses oriundos das negociações realizadas pelos investigadores.

O que dizem as defesas

A defesa de Braz Morroni contestou as acusações e afirmou que a decisão judicial se baseia em relatórios policiais sustentados por conversas indiretas entre outros investigados.

Segundo os advogados, não existe nenhuma conversa interceptada envolvendo diretamente o delegado com os demais suspeitos. A defesa sustenta que houve falha na individualização das condutas e reforça que Morroni está sendo acusado antes mesmo da conclusão das investigações.

Já a defesa dos investigadores Everton Aires e Eduardo Jorge Ferreira informou que ambos negam qualquer participação nos fatos apurados e destacaram que as prisões têm caráter temporário, sem representar condenação ou reconhecimento de culpa.

Entenda a Operação Perfídus

A Operação Perfídus investiga uma organização criminosa suspeita de desviar drogas apreendidas em ações policiais para posterior revenda ilegal. As investigações apontam ainda supostos casos de corrupção e repasse de informações sigilosas a traficantes.

Ao todo, foram cumpridos nove mandados de prisão, 24 mandados de busca e apreensão e determinado o bloqueio de aproximadamente R$ 10 milhões em bens e valores dos investigados.

O nome da operação faz referência ao termo latino “Perfídus”, que significa traição ou deslealdade, em alusão à conduta atribuída aos investigados.

O POVO PB

Acompanhe as notícias do POVOPB pelas redes sociais: Instagram e Twitter.

Verified by ExactMetrics