Cinco flanelinhas suspeitos de tráfico de drogas foram presos nesta quarta-feira (10), pela Delegacia de…
Áudios revelam que grupo investigado negociava drogas, avisava traficantes sobre operações e movimentou milhões, aponta investigação
8 jun 2026 - Notícias
Operação Perfídus identificou esquema que envolvia policiais civis, facções criminosas e desvio de entorpecentes apreendidos — Foto: Reprodução
As investigações da Operação Perfídus revelaram um suposto esquema criminoso que, segundo a Polícia Civil e o Ministério Público da Paraíba, envolvia desvio de drogas apreendidas, repasse de informações sigilosas a traficantes, lavagem de dinheiro e movimentações financeiras milionárias.
A apuração, que durou mais de um ano, reuniu interceptações telefônicas, monitoramentos, vídeos, quebras de sigilos bancário, fiscal e telemático, além da análise de mais de 40 mil áudios. Entre os principais investigados estão o delegado Braz Morroni e os policiais civis Everton Rychelyson Aires, conhecido como “Bomba”, e Eduardo Jorge Ferreira do Egito, o “Mão Branca”.
Segundo a investigação, parte dos entorpecentes apreendidos em operações policiais não seguia o procedimento legal previsto e acabava sendo desviada para revenda clandestina.
Os investigadores identificaram diálogos em que os suspeitos discutiam estoque, distribuição e comercialização de drogas como cocaína, crack e skunk. Em alguns casos, conforme a apuração, a droga era retirada de uma facção criminosa e revendida para o mesmo grupo ou para organizações rivais.
Outro ponto considerado grave pelas autoridades envolve o vazamento de informações policiais.
De acordo com a investigação, integrantes do grupo avisavam traficantes sobre operações em andamento, permitindo que suspeitos escondessem drogas, abandonassem imóveis monitorados ou fugissem antes da chegada das equipes policiais.
As apurações também identificaram ligações entre os investigados e criminosos envolvidos em organizações ligadas ao tráfico de drogas e ao chamado Novo Cangaço.
As quebras de sigilo bancário revelaram movimentações consideradas incompatíveis com os rendimentos dos investigados.
Segundo a Polícia Civil, alguns dos principais alvos movimentaram milhões de reais ao longo dos últimos anos. Os investigadores acreditam que parte das transações pode ter ocorrido em espécie, o que ainda está sendo aprofundado durante a investigação.
O inquérito teve início após denúncias de que drogas apreendidas por equipes policiais estariam desaparecendo e retornando ao mercado ilegal.
A partir dessas informações, os órgãos de investigação iniciaram um trabalho de monitoramento que culminou na deflagração da Operação Perfídus.
Entenda a Operação Perfídus
A Operação Perfídus investiga uma organização criminosa suspeita de desviar drogas apreendidas durante operações policiais para posterior revenda ilegal. O grupo também é investigado por corrupção, lavagem de dinheiro e repasse de informações sigilosas a traficantes.
Ao todo, foram cumpridos nove mandados de prisão, 24 mandados de busca e apreensão e determinado o bloqueio judicial de aproximadamente R$ 10 milhões em bens e valores dos investigados.
O nome da operação deriva do termo latino “Perfídus”, que significa traição ou deslealdade, em referência à conduta atribuída aos suspeitos.
O que dizem as defesas
Em nota, a defesa do delegado Braz Morroni afirmou que as acusações se baseiam em relatórios policiais construídos a partir de conversas indiretas entre outros investigados e sustentou que não existe qualquer diálogo interceptado envolvendo diretamente o delegado com integrantes do suposto esquema.
Os advogados também alegam que houve falha na individualização das condutas e defendem que Braz Morroni está sendo acusado antes mesmo da conclusão das investigações.
Já a defesa do investigador Everton Rychelyson Aires informou que está formalmente constituída no processo e reafirmou a inocência do policial civil. Em nota, o escritório responsável declarou que atua para garantir o pleno exercício da ampla defesa e do contraditório, ressaltando que o trabalho técnico está sendo realizado diretamente nos autos.
A defesa de Eduardo Jorge Ferreira do Egito também informou que o investigado nega qualquer participação nos fatos apurados e destacou que a prisão decretada possui caráter temporário, não representando condenação ou reconhecimento de culpa.
O POVO PB
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