As investigações da Operação Perfídus revelaram um suposto esquema criminoso que, segundo a Polícia Civil…
Áudio revela suposto vazamento de operações para traficantes; investigação analisou mais de 40 mil gravações na Paraíba
9 jun 2026 - Notícias
Everton Rychelyson da Silva Aires, conhecido como “Bomba” — Foto: Divulgação
Novos detalhes da Operação Perfídus, que levou à prisão do delegado Braz Morroni e dos investigadores Everton Aires e Eduardo Jorge, revelam um dos pontos mais graves da investigação: o suposto repasse de informações sigilosas sobre operações policiais para integrantes do tráfico de drogas na Paraíba.
Áudios obtidos durante as apurações mostram conversas em que o investigador Everton Rychelyson da Silva Aires, conhecido como “Bomba”, teria alertado suspeitos sobre ações que estavam prestes a ser desencadeadas por forças de segurança do estado.
Segundo a investigação, uma das gravações registra Everton orientando João Wicttor Alves de Lima, conhecido como “Vitor”, a avisar um homem identificado como Breno, que estaria sendo monitorado pela Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE).
De acordo com o conteúdo interceptado, o policial recomendava que o suspeito evitasse manter drogas ou materiais ilícitos em casa para não ser preso em flagrante durante a operação.
Em outro áudio analisado pelos investigadores, Everton comenta sobre a prisão do mesmo alvo e critica a atuação dos policiais responsáveis pela ação. Já uma terceira gravação aponta que ele também teria repassado informações sobre uma operação da Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (Ficco), estrutura que reúne agentes da Polícia Federal, Polícia Civil, Polícia Militar e outras forças de segurança.
Mais de 40 mil áudios foram analisados
O secretário de Segurança Pública da Paraíba, Jean Nunes, classificou o caso como extremamente grave e destacou a dimensão da investigação.
Segundo ele, mais de 40 mil áudios foram periciados ao longo de mais de um ano de trabalho conjunto entre a Polícia Civil e o Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco).
As apurações indicam que agentes públicos teriam atuado para proteger traficantes, dificultar operações policiais e permitir que drogas apreendidas retornassem às ruas por meio de um esquema de revenda clandestina.
Esquema teria movimentado cerca de R$ 10 milhões
A investigação teve início em fevereiro de 2025, após a denúncia feita por um traficante que alegou ter tido drogas desviadas por policiais civis.
A partir daí, os investigadores passaram a monitorar os suspeitos, realizar interceptações telefônicas e quebrar sigilos bancários e telemáticos.
Segundo a Polícia Civil, o grupo investigado teria movimentado aproximadamente R$ 10 milhões ao longo dos últimos quatro anos por meio da comercialização ilegal de entorpecentes desviados de apreensões oficiais.
Ao todo, a Operação Perfídus cumpriu nove mandados de prisão e diversos mandados de busca e apreensão. Oito suspeitos foram presos durante a ofensiva.
O que diz a defesa
Ao programa Fantástico, a defesa de Everton Aires afirmou que o policial não reconhece as acusações que lhe são atribuídas e ressaltou que o caso deverá ser analisado dentro do devido processo legal, garantindo o direito à ampla defesa e ao contraditório.
Entenda a Operação Perfídus
A Operação Perfídus investiga uma organização criminosa suspeita de desviar drogas apreendidas durante operações policiais para posterior revenda ilegal. O grupo também é investigado por corrupção, lavagem de dinheiro e vazamento de informações sigilosas para integrantes de facções criminosas.
Ao todo, foram cumpridos nove mandados de prisão, 24 mandados de busca e apreensão e determinado o bloqueio judicial de aproximadamente R$ 10 milhões em bens e valores dos investigados.
O nome da operação faz referência ao termo latino “Perfídus”, que significa traição ou deslealdade, numa alusão à conduta atribuída aos suspeitos.
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O POVO PB
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