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Operação resgata mulheres em situação análoga à escravidão na Paraíba durante combate ao tráfico humano
16 jun 2026 - Manchete Destaque
Investigações apontam esquema de exploração sexual, dívidas abusivas, metas de programas e controle da rotina das vítimas — Foto: Divulgação
Uma operação conjunta de combate ao tráfico de pessoas no Nordeste resultou no resgate de 18 mulheres submetidas a condições análogas à escravidão em estabelecimentos de exploração sexual na Paraíba. Outras quatro vítimas foram encontradas em Pernambuco, totalizando 22 mulheres identificadas durante a ação.
Os dados foram divulgados nesta terça-feira (16) pela Auditoria-Fiscal do Trabalho, que participou da Operação Donos da Noite, coordenada pela Polícia Federal. As fiscalizações ocorreram em imóveis localizados nos municípios paraibanos de Guarabira, Pedro Régis e Alagoa Grande, além de Goiana, em Pernambuco, e Nova Cruz, no Rio Grande do Norte.
Segundo os órgãos de investigação, a maior parte das atividades do grupo estava concentrada na Paraíba. A apuração revelou um esquema de exploração marcado por dívidas forçadas, metas abusivas e restrições à liberdade das mulheres.
Como funcionava o esquema
De acordo com a Auditoria-Fiscal do Trabalho, as vítimas eram mantidas sob constante pressão financeira. Alimentação, roupas, produtos de higiene, perfumes, procedimentos estéticos e até a lavagem de roupas eram cobrados pelas responsáveis pelos estabelecimentos.
As dívidas eram lançadas sem transparência e, em muitos casos, as mulheres terminavam a semana sem receber qualquer valor pelo trabalho realizado.
As investigações também apontam que as vítimas precisavam cumprir metas consideradas abusivas, incluindo a venda de dezenas de doses de bebidas alcoólicas por semana e a realização de programas sexuais diariamente. O descumprimento das exigências gerava multas que aumentavam ainda mais o endividamento.
Além disso, câmeras de monitoramento eram usadas para vigiar a movimentação das mulheres. Algumas relataram que não conseguiam deixar os locais por causa das dívidas acumuladas.
Os auditores identificaram jornadas que chegavam a 14 horas seguidas durante a semana. Nos fins de semana, o trabalho começava ao meio-dia e só terminava após a saída do último cliente.
Durante a fiscalização, também foram colhidos relatos de violência sexual, estupros, abuso psicológico e consumo excessivo de álcool e outras substâncias, situações que, segundo os depoimentos, estavam ligadas à pressão para cumprir as metas impostas.
As condições de moradia também chamaram a atenção dos investigadores. Em alguns estabelecimentos, as mulheres dormiam em quartos coletivos e conviviam com
A Auditoria-Fiscal informou que os estabelecimentos fiscalizados eram administrados por uma mesma empresária e familiares. A mulher apontada como líder do esquema foi formalmente notificada pela caracterização de trabalho em condições análogas à escravidão.
As autoridades determinaram a interrupção das atividades, o pagamento dos direitos trabalhistas das vítimas, o custeio do retorno delas às cidades de origem e a adoção de medidas para encerrar as irregularidades identificadas.
O POVO PB
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