A Polícia Civil da Paraíba, através da Delegacia de Crimes contra o Patrimônio da capital…
Motoboy desaparecido em João Pessoa: homem é preso e admite ‘disciplina’ ordenada por facção
29 ago 2026 - Notícias
Erick Rodrigues, de 23 anos, não é visto desde terça-feira (25); segundo a Polícia Civil, suspeito confessou ter participado da tortura, mas negou ter matado o jovem— Foto: Reprodução
Um homem foi preso nesta sexta-feira (28), em João Pessoa, suspeito de envolvimento no desaparecimento do motoboy Erick Rodrigues, de 23 anos. Segundo a Polícia Civil, o investigado seria integrante de uma facção criminosa e admitiu ter participado de uma ação de violência contra o jovem, chamada por ele de “disciplina”.
Erick desapareceu na terça-feira (25), após fazer o último contato com a companheira. Desde então, familiares procuram pelo rapaz e registraram um boletim de ocorrência.
Moto levou polícia até imóvel
As investigações da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) apontaram que a geolocalização da motocicleta de Erick levou os policiais até uma casa no bairro Padre Zé.
O imóvel pertence à ex-companheira do motoboy. No local, os investigadores encontraram o atual namorado da mulher. De acordo com o delegado Filipe William, ele usa tornozeleira eletrônica e já possui condenação judicial.
A principal linha investigativa é de que Erick e a ex-companheira mantinham um relacionamento. O atual companheiro dela teria descoberto o suposto envolvimento e atraído o motoboy até a residência.
Segundo a Polícia Civil, o homem preso confessou que participou da chamada “disciplina” contra Erick e afirmou que outros dois integrantes da facção também teriam participado da ação.
“Ele confessou que aplicou uma disciplina em Erick. É pelo fato de ele estar tendo um relacionamento com a sua companheira, segundo ele afirma”, explicou o delegado.
Ainda conforme o depoimento, o jovem teria sido torturado e levado posteriormente para Caaporã, no Litoral Sul da Paraíba.
Suspeito diz que não matou o motoboy
Apesar de admitir participação na tortura, o investigado negou ter executado Erick.
“Ele negou ter executado Erick, confirmou que torturou, confirmou que aplicou a disciplina, mas nega ter praticado o homicídio”, afirmou Filipe William.
A Polícia Civil e a Polícia Militar fizeram buscas nesta sexta-feira na região onde a motocicleta foi localizada, na tentativa de encontrar o jovem. Até a última atualização, o corpo de Erick não havia sido localizado.
Mensagem teria sido usada para atrair vítima
De acordo com a investigação, Erick foi chamado até a residência por meio de uma mensagem enviada pelo celular da ex-companheira.
A polícia, porém, descobriu que o texto não teria sido escrito por ela. Segundo o delegado, o homem preso teria utilizado o aparelho para se passar pela mulher e convencer o motoboy a ir até o local.
“Essa mensagem foi enviada não pela ex-companheira, mas pelo próprio preso conduzido aqui, que pegou o celular dela e se passou por ela”, detalhou o delegado.
Ex-companheira nega relacionamento com Erick
A mulher negou à Polícia Civil que mantivesse um relacionamento com Erick. Segundo a investigação, ela relatou que integrantes de uma facção entraram na residência e que também teria sido vítima de violência doméstica após o atual companheiro suspeitar de um envolvimento com o motoboy.
Erick e a ex-companheira não tinham filhos, mas teriam mantido contato mesmo depois do término porque cuidavam juntos de uma criança que é filha dela.
A Polícia Civil informou que adotou providências relacionadas à denúncia de violência doméstica.
Polícia descarta informação sobre possível localização
Também foi descartada pela Polícia Civil a informação de que Erick teria sido visto por um caminhoneiro em uma área de mata às margens da BR-101, entre Santa Rita e Mamanguape.
Segundo o delegado, o próprio homem preso teria informado que essa versão foi divulgada com o objetivo de desviar a atenção dos investigadores.
As buscas pelo motoboy continuam, e a Polícia Civil deve aprofundar a investigação para esclarecer o que aconteceu com Erick e identificar todos os envolvidos.
O POVO PB
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