Após seis boletins de ocorrência, mulher relata perseguição e descumprimento de medida protetiva por agressor na Paraíba

18 dez 2024 - Paraíba

Delegacia da Mulher, em João Pessoa — Foto: Divulgação/Secom-PB

Mais um caso de violência contra a mulher expõe a fragilidade no cumprimento de medidas protetivas e a falta de respostas efetivas do sistema de segurança pública na Paraíba. Uma mulher, que já registrou seis boletins de ocorrência contra o ex-companheiro, denunciou perseguições, coações psicológicas e descumprimento da medida protetiva.

De acordo com a vítima, o agressor tem monitorado sua residência, espalhado calúnias entre familiares e até pulado o muro de sua casa, mesmo após a decisão judicial que deveria garantir sua segurança. “Eu não aguento mais, já são três meses vivendo com medo. Ele trocou de número, me vigia, invade meu espaço. Quero justiça, quero que ele seja preso”, desabafou.

O relacionamento, que durou apenas três meses, tornou-se insustentável para a vítima após ela perceber o comportamento agressivo do ex-companheiro, agravado pelo uso de álcool e drogas. Desde que terminou o vínculo, ela relata viver sob constante perseguição.

“O início foi difícil, mas eu conversava com ele sobre os problemas, como o uso excessivo de bebida. Decidi terminar porque ele não aceitava mudar. Desde então, tenho recebido mensagens, ligações e até ameaças. Ele chegou ao ponto de vigiar minha casa e atrapalhar meu trabalho. Não estou abrindo meu ponto de comércio por medo”, detalhou.

Além das agressões emocionais e psicológicas, o homem insiste em manter contato, mesmo após a medida protetiva. Recentemente ele teria pulado o muro da residência da vítima para tentar se aproximar.

Apesar das inúmeras denúncias e do registro da medida protetiva, a vítima afirma que não houve avanços no caso. Mesmo com o endereço e o novo número de telefone do agressor fornecido à polícia, nenhuma ação foi tomada.

“Hoje fui pela sexta vez à delegacia. Levei testemunhas, dei todas as informações possíveis, mas tudo o que dizem é que vão anexar ao processo. Nada foi feito até agora. Quero que ele seja preso, que a justiça faça alguma coisa”, clamou.

Mulheres em situação de violência podem denunciar por meio dos seguintes canais:

  • 197: Disque Denúncia da Polícia Civil
  • 180: Central de Atendimento à Mulher
  • 190: Polícia Militar (em casos de emergência)
  • Aplicativo SOS Mulher PB: Disponível para Android e iOS, o app permite denúncias via telefone, formulário e e-mail, enviadas diretamente ao Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos.

O POVO PB

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