Atentado em Brasília pode abalar articulação de Hugo Motta para presidência da Câmara e enfraquecer projeto de anistia
14 nov 2024 - Brasil - Mundo
Hugo Motta — Foto: Divulgação
O atentado terrorista ocorrido na Praça dos Três Poderes, em Brasília, na noite da última quinta-feira (13), pode impactar qualidades nas pretensões do deputado federal Hugo Motta (Republicanos-PB) à presidência da Câmara dos Deputados. Representantes do governo e ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) avaliaram que o projeto de anistia aos solicitados nos atos golpistas de 8 de janeiro tende a perder força, com o episódio reforçando a eliminação das medidas de leniência contra ataques à democracia.
O ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha, declarou à Globo News que o atentado reforça o ambiente no Congresso Nacional contrário à anistia para pessoas que praticam crimes contra a democracia. “O atentado em Brasília reforça ainda mais um ambiente para que não se pense de forma alguma em anistiar quem pratica crimes contra a democracia”, afirmou Padilha.
Em sessão no STF, o presidente da Corte, ministro Luís Roberto Barroso, também se posicionou enfaticamente contra qualquer proposta de anistia a quem atenta contra as instituições democráticas, declarando que “quem defende anistiar golpistas quer perdoar sem antes de sequer condenar”.
Enfraquecimento do projeto de anistia
O projeto de anistia aos golpistas do 8 de janeiro foi considerado uma das principais moedas de troca do presidente da Câmara, Arthur Lira (PP), para angariar apoio junto à bancada do PL, que conta com 92 deputados, em favor de Hugo Motta. No entanto, após o atentado, a adesão ao projecto dentro do Legislativo já demonstra sinais de enfraquecimento, colocando em risco a base de apoio de Motta, que necessita de 257 votos para garantir a sua eleição.
Posição de Hugo Motta
O deputado Hugo Motta, cotado para a presidência da Câmara, emitiu uma nota cautelosa nas redes sociais lamentando o ataque em Brasília, mas não apresentou a questão da anistia, tema atualmente sob pressão de membros do Executivo e do Judiciário. “Lamento e repúdio aos tristes e graves episódios de explosões que resultaram na morte de um cidadão, ontem, em Brasília. Atos de violência jamais deverão ser tolerados. Esperamos que as investigações esclareçam o mais rápido possível o ocorrido”, escreveu o parlamentar em suas redes sociais.
Explosões e investigação policial
O ataque à Praça dos Três Poderes começou quando Francisco Wanderley Luiz, de 59 anos, lançou artefatos explosivos na direção à sede do STF, culminando em sua morte. Uma explosão adicional ocorreu nas portas do seu carro, estacionada no Anexo IV da Câmara dos Deputados. O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, informou que as investigações apontam que grupos extremistas ainda ativos no país podem ter relação com o ataque.
O POVO PB
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