Aumento de 37,5% nas mortes por HIV/Aids na Paraíba em 10 anos

17 dez 2023 - Paraíba

Dezembro Vermelho; HIV/Aids — Foto: Reprodução: Freepik

Os dados mais recentes do Ministério da Saúde revelam um aumento alarmante de 37,5% no número de mortes atribuídas à Aids na Paraíba ao longo de uma década. Em 2022, foram registradas 164 mortes, um aumento significativo em relação às 119 ocorridas em 2012. Este crescimento refletiu também em um aumento de 13,5% na taxa de mortalidade por Aids no estado, atingindo 3,4 óbitos a cada 100 mil habitantes.

A capital, João Pessoa, registrou uma taxa ainda mais elevada, com 5,2 mortes por 100 mil habitantes em 2022, superando a média nacional. O infectologista Fernando Chagas, diretor do Hospital Clementino Fraga, destaca que o contexto da pandemia de Covid-19 pode ter contribuído para esse aumento. O receio em buscar diagnósticos e o abandono de tratamentos em decorrência do temor em relação à Covid-19 podem ter levado a casos avançados de HIV, resultando em mais mortes em 2022.

A Aids é uma doença causada pelo HIV, que compromete o sistema imunológico do organismo, tornando-o vulnerável a diversas infecções. Em 2022, foram notificados 623 casos de infecção por HIV na Paraíba, com uma taxa de detecção de 12,5 casos por 100 mil habitantes, enquanto em João Pessoa, a taxa foi de 24,8 casos por 100 mil habitantes.

A demora na descoberta da condição soropositiva é apontada como um dos principais fatores contribuintes para o aumento da mortalidade. Muitas pessoas descobrem a soropositividade apenas quando a doença já está em estágio avançado, o que dificulta os tratamentos e pode levar a desfechos fatais, conforme explicado pelo infectologista Fernando Chagas e pela antropóloga Mónica Franch.

Além disso, questões sociais complexas, como situações de vulnerabilidade, falta de acesso a serviços básicos e estigma social, também influenciam no abandono do tratamento, aumentando os riscos para a saúde das pessoas soropositivas. A antropóloga Mónica Franch ressalta a importância de ampliar o conhecimento sobre o HIV/Aids, combater o estigma e promover políticas públicas eficazes para prevenir a transmissão e garantir tratamentos adequados.

Apesar dos desafios, avanços nos tratamentos foram destacados pelo médico Fernando Chagas, enfatizando a evolução dos antirretrovirais ao longo do tempo, tornando os tratamentos mais acessíveis e com menos efeitos colaterais. A testagem para HIV/Aids é fundamental para toda pessoa sexualmente ativa, e a Secretaria de Estado de Saúde (SES/PB) destaca que a testagem está disponível nas Unidades Básicas de Saúde em todos os municípios, com o Hospital Clementino Fraga atuando como referência para testagem e tratamento na Paraíba.

É essencial não apenas aumentar a conscientização sobre o HIV/Aids, mas também garantir acesso à informação e aos serviços de saúde durante todo o ano, não se limitando apenas ao Dezembro Vermelho, como destaca Mónica Franch. Combater o silêncio em torno dessa questão é crucial para prevenir novos casos, oferecer tratamento adequado e reduzir o estigma associado à condição soropositiva.

O Povo PB

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