Caracol-gigante-africano preocupa especialistas na Paraíba; veja os riscos e como agir com segurança

26 jul 2026 - Notícias

Caracol-gigante-africano preocupa especialistas na Paraíba — Foto: pixabay

O aumento da presença do caracol-gigante-africano em áreas urbanas da Paraíba tem preocupado especialistas, principalmente durante o período de chuvas. Além dos impactos ambientais, o molusco pode representar riscos à saúde humana se for manipulado de forma inadequada.

Em entrevista ao Jornal da Paraíba, o biólogo Francisco José Pegado Abílio, professor da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), reforçou que a informação correta é a principal aliada da população para evitar acidentes e combater a desinformação sobre a espécie.

Segundo o pesquisador, muitas pessoas acabam confundindo o caracol-gigante-africano com moluscos nativos, que são importantes para o equilíbrio ambiental e, em alguns casos, estão ameaçados de extinção.

Não use sal, cal ou produtos químicos

O especialista alerta que métodos populares, como jogar sal, cal, detergente ou outros produtos químicos sobre o animal, não são recomendados.

Além de contaminarem o solo, essas substâncias nem sempre eliminam completamente o molusco.

A orientação é recolher o caracol utilizando luvas ou um saco plástico, evitando o contato direto com o animal e, principalmente, com o muco deixado por ele. Depois, o descarte deve seguir as recomendações dos órgãos ambientais competentes.

Molusco pode transmitir doenças

O principal risco relacionado ao caracol-gigante-africano é a possibilidade de transmissão da angiostrongilíase, doença causada por parasitas dos quais o molusco pode ser hospedeiro.

A infecção pode provocar problemas graves, atingindo o intestino ou até o sistema nervoso central. Em casos mais severos, pode causar paralisia e até levar à morte.

O biólogo explica que o perigo está justamente no muco produzido pelo animal, onde os parasitas podem estar presentes. Por isso, crianças não devem brincar com o caracol e qualquer contato direto deve ser evitado.

Chuvas favorecem o aparecimento da espécie

Durante o período chuvoso, é comum que a população perceba um aumento na quantidade desses animais. Isso acontece porque o caracol permanece escondido sob o solo, folhas, pedras e entulhos durante boa parte do tempo.

Com o encharcamento do terreno provocado pelas chuvas, eles saem para a superfície em busca de condições mais favoráveis, tornando-se mais visíveis nas ruas, quintais e terrenos.

Introduzido no Brasil há décadas para criação comercial como escargot, o caracol-gigante-africano é considerado uma espécie exótica invasora. Atualmente, sua criação, transporte e comercialização são proibidos no país.

Para o pesquisador, o combate à proliferação do animal depende da conscientização da população, da identificação correta da espécie e da adoção de práticas seguras de manejo, evitando riscos tanto para as pessoas quanto para o meio ambiente.

O POVO PB com Jornal da Paraíba

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