Caso Washington Rodrigo: entenda o que já foi descoberto sobre o crime em hotel de João Pessoa

1 ago 2026 - Notícias

Adolescente de 17 anos confessou o homicídio, alegou ter agido por medo de exposição e segue apreendido enquanto a Polícia Civil conclui o inquérito — Foto: Divulgação

O assassinato de Washington Rodrigo, de 33 anos, encontrado morto em um quarto de hotel no bairro de Manaíra, em João Pessoa, ganhou novos desdobramentos nos últimos dias. O principal suspeito, um adolescente de 17 anos, confessou o crime à Polícia Civil e permanece apreendido por decisão da Justiça.

Desde a descoberta do corpo, a investigação reuniu provas, ouviu o suspeito e esclareceu parte da dinâmica do homicídio. Confira o que já se sabe sobre o caso.

Como aconteceu o encontro?

De acordo com a Polícia Civil, o adolescente chegou a João Pessoa na quinta-feira (23) e acessou um site de relacionamentos. Foi por meio da plataforma que ele entrou em contato com Washington Rodrigo. A conversa seguiu por um aplicativo de mensagens e os dois marcaram um encontro para a madrugada da sexta-feira (24).

Segundo a defesa, o adolescente escolheu o perfil da vítima de forma aleatória e utilizou um documento falso para conseguir se hospedar no hotel onde o crime aconteceu.

“Confessei”, diz adolescente suspeito de matar homem em hotel; polícia vê inconsistências no depoimento — Foto: Divulgação

O que motivou o crime?

Em depoimento, o adolescente afirmou que acreditou ter sido fotografado durante um momento íntimo e disse que temeu que sua orientação sexual fosse exposta.

Segundo o delegado Diego Garcia, o investigado relatou que utilizou uma pistola de airsoft para obrigar Washington a entregar o celular e verificar se havia imagens ou mensagens relacionadas ao encontro.

Ainda conforme o depoimento, ele simulou um fetiche, pediu que a vítima colocasse as algemas e, em seguida, utilizou o cabo do secador de cabelo do hotel para estrangulá-la.

O adolescente alegou que pretendia apenas deixar Washington desacordado para fugir, mas o Instituto de Medicina Legal (IML) concluiu que a morte ocorreu por asfixia. A perícia também identificou sinais de tortura no corpo.

Washington Rodrigo, homem encontrado morto em hotel em João Pessoa

O que aconteceu após o homicídio?

As investigações apontam que o adolescente ainda tentou deixar o hotel utilizando o carro da vítima, mas não conseguiu.

Segundo a Polícia Civil, ele saiu sozinho do local e seguiu normalmente sua rotina, chegando a fazer publicações nas redes sociais horas depois do crime.

O corpo de Washington Rodrigo foi encontrado posteriormente por uma funcionária do hotel.

Quais provas foram reunidas?

Durante a perícia, os investigadores apreenderam uma pistola de airsoft e um par de algemas, objetos considerados importantes para esclarecer a dinâmica do crime.

A Polícia Civil também informou que não foram encontrados entorpecentes dentro do quarto.

Como o suspeito foi localizado?

Após deixar João Pessoa, o adolescente seguiu para o Rio Grande do Norte. Na segunda-feira (27), ele se apresentou espontaneamente à Polícia Civil em Caicó, acompanhado por um advogado.

Depois foi transferido para João Pessoa, onde passou a responder pelo caso perante a Delegacia da Infância e da Juventude.

Segundo a Polícia Civil, o adolescente possui 17 boletins de ocorrência registrados no Rio Grande do Norte, envolvendo atos infracionais análogos a furto qualificado, extorsão, perseguição (stalking), ameaça, violência doméstica e lesão corporal, além de já ter sido internado anteriormente em uma unidade socioeducativa.

Washington Rodrigo — Foto: Divulgação

Como a idade foi confirmada?

Inicialmente, o suspeito passou por um exame de arcada dentária, mas o resultado foi inconclusivo.

A confirmação da idade ocorreu por meio de um exame de papiloscopia, com comparação das impressões digitais ao banco de dados do Rio Grande do Norte, comprovando que ele tem 17 anos.

Qual é a situação do caso?

O adolescente permanece apreendido após decisão da Justiça, que manteve a internação provisória por até 45 dias.

Nesse período, a Polícia Civil deverá concluir o inquérito e encaminhá-lo ao Ministério Público, que decidirá sobre a representação judicial. Em seguida, serão realizadas as audiências previstas no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).

Caso seja aplicada a medida socioeducativa de internação, o adolescente passará por reavaliações periódicas previstas em lei.

O POVO PB

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