Cícero Lucena protocola ação na Justiça Eleitoral por suposto esquema de compra de votos na Paraíba

30 set 2026 - Notícias / Política

Candidato ao Governo da Paraíba Cícero Lucena (MDB) — Foto: Divulgação

A campanha do candidato ao Governo da Paraíba Cícero Lucena (MDB) protocolou, nesta quarta-feira (30), uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE) para apurar o que os advogados classificam como um possível sistema de documentação de compra de votos durante a campanha eleitoral deste ano.

Segundo a ação, uma plataforma identificada no início de setembro teria reunido informações sobre visitas a eleitores, demandas apresentadas por moradores e avaliações sobre intenção de voto e rejeição de candidatos ao Governo e ao Senado. As informações são alegações apresentadas pela campanha de Cícero à Justiça Eleitoral e ainda serão analisadas no processo.

Entre os pedidos registrados estariam consultas médicas, exames, cirurgias, botijões de gás, materiais de construção e empregos. A campanha afirma que os dados indicariam uma estrutura organizada para identificar demandas, atendê-las e, posteriormente, questionar os beneficiários sobre a intenção de voto.

De acordo com os números apresentados na AIJE, a plataforma teria catalogado:

  • 8.592 abordagens;
  • 1.721 demandas individualizadas;
  • 723 pedidos de materiais;
  • 6.942 revisitas.

As visitas, segundo a ação, teriam ocorrido em João Pessoa, Bayeux e Cabedelo.

O advogado Walter Agra, que representa a campanha de Cícero Lucena, afirmou durante uma coletiva que os registros poderiam representar uma forma de documentar a suposta prática de compra de votos.

A campanha também afirma que, depois que a existência da plataforma foi denunciada, o sistema saiu do ar. Segundo Agra, entretanto, os dados já haviam sido copiados e encaminhados ao Ministério Público Eleitoral.

Outro ponto levantado na ação é a presença de nomes de servidores públicos estaduais nos cadastros da plataforma. Segundo a campanha de Cícero, esses servidores teriam participado das visitas às residências.

A AIJE aponta possíveis práticas de captação ilícita de votos e abuso de poder político e econômico e cita o endereço eletrônico qualificada83.com.br como relacionado à plataforma investigada.

A existência dos registros e as acusações apresentadas pela campanha ainda precisam ser analisadas pela Justiça Eleitoral. O ajuizamento de uma AIJE não significa que as irregularidades tenham sido comprovadas.

Até a última atualização desta reportagem, a campanha do governador e candidato à reeleição Lucas Ribeiro (PP) não havia apresentado posicionamento sobre a ação.

O espaço permanece aberto para manifestação da defesa e da campanha.

Esta é a segunda AIJE apresentada pela campanha de Cícero Lucena durante a atual disputa pelo Governo da Paraíba. A primeira teve como foco questionamentos relacionados ao aumento de contratações sem concurso público no Estado.

O POVO PB 

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