Debate sobre “adultização” de menores cresce nas redes após caso Hytalo Santos
15 ago 2025 - Brasil - Mundo
Debate sobre “adultização” de menores cresce nas redes após caso Hytalo Santos — Foto: Reprodução
O termo “adultização” voltou ao centro das discussões sobre segurança digital e direitos da criança e do adolescente no Brasil, impulsionado pelas investigações contra o influenciador paraibano Hytalo Santos. A prática, segundo especialistas, consiste em expor crianças e adolescentes a comportamentos, vestimentas e situações de conotação sexual precoce, muitas vezes para obtenção de engajamento e lucro em plataformas digitais.
O caso ganhou repercussão nacional na última semana, após o humorista e youtuber Felca publicar um vídeo denunciando conteúdos que, segundo ele, exploram a vulnerabilidade de menores. No material, Hytalo é citado como exemplo. Poucos dias depois, a Justiça da Paraíba determinou busca e apreensão de equipamentos, bloqueio de perfis em redes sociais e proibição de contato com adolescentes citados nas investigações.
De acordo com o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), a exposição indevida de menores na internet pode causar danos duradouros, incluindo impactos psicológicos e sociais, além de riscos de assédio e violência sexual. No Brasil, o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) prevê proteção integral contra qualquer forma de negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão.
O debate também chegou ao Congresso Nacional. O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), anunciou que pretende pautar projetos que aumentam a responsabilidade das plataformas digitais e estabelecem regras mais rígidas para impedir a exploração infantil online. Entre as propostas em discussão está a obrigação de verificação de idade, retirada imediata de conteúdos abusivos e restrições à publicidade direcionada a menores.
Especialistas em direito digital e proteção infantojuvenil alertam que a participação de crianças em conteúdos de entretenimento deve ser regulada e acompanhada por responsáveis, evitando que o entretenimento se transforme em exposição nociva. “Não é apenas uma questão moral, mas de cumprimento da lei e garantia de direitos fundamentais”, destaca a advogada e pesquisadora Ana Luísa Morais.
O caso Hytalo Santos permanece em segredo de Justiça, mas já acendeu o alerta para famílias, educadores e autoridades sobre os limites entre entretenimento e exploração nas redes sociais.
O POVO PB
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