Famílias contestam versão oficial e alegam que jovens mortos em acidente foram baleados por policiais em João Pessoa

17 jul 2025 - Paraíba

Casal de jovens que morre em acidente na PB-008; familiares suspeitam de disparos de arma de fogo — Foto: Reprodução

O caso que inicialmente foi tratado como um trágico acidente de trânsito pode ganhar contornos mais graves após a reabertura das investigações. Os jovens Guilherme Pereira e Ana Luiza morreram na madrugada do dia 30 de novembro de 2024, no bairro de Muçumagro, em João Pessoa, após a moto em que estavam bater violentamente em um poste. Meses depois, porém, novas evidências levantadas pelas famílias indicam que os dois teriam sido vítimas de disparos de arma de fogo.

A morte dos jovens ocorreu após uma abordagem policial. Segundo relatos da Polícia Militar na época, equipes foram acionadas para conter uma festa clandestina na região da Praia do Sol. Durante o deslocamento, os agentes se depararam com três motos em alta velocidade, cada uma transportando um casal. Apenas uma das motocicletas foi parada pela PM. As outras duas seguiram em fuga, uma delas pela contramão e a outra sobre a calçada — momento em que teria ocorrido a colisão com o poste.

As vítimas morreram ainda no local. O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foi acionado, mas não houve tempo para socorro.

Famílias denunciam execução

As investigações tomaram um novo rumo após insistência dos familiares, que solicitaram a exumação dos corpos. O procedimento foi realizado no dia 12 de junho deste ano. Segundo o pai de Guilherme Pereira, a Polícia Civil teria confirmado, por meio de laudo pericial, que o filho foi morto com tiros na cabeça.

“Guilherme teve o disparo de arma de fogo, onde a gente viu as fotos, muito estrago na cabeça dele. Consequentemente, a minha filha também foi vítima, né, devido a estar com Guilherme e dependia dele”, afirmou o pai, emocionado, em entrevista à TV Cabo Branco.

Já Joselito Pereira, pai de Ana Luiza, reforçou a acusação. Ele afirmou ter recorrido a um laudo particular, feito antes da perícia oficial, que apontou perfurações por projéteis nos corpos dos dois jovens. O laudo indicaria que os disparos teriam sido feitos por policiais durante a perseguição.

Os corpos de Guilherme e Ana Luiza foram enterrados novamente nesta quinta-feira (17), no Cemitério Nossa Senhora da Boa Morte, em Bayeux.

Caso passa a ser investigado como homicídio

Inicialmente, a apuração estava sob responsabilidade da Delegacia de Crimes de Trânsito da Capital. No entanto, diante das novas informações, o caso foi transferido para a Delegacia de Homicídios e agora é tratado como suspeita de duplo homicídio. A delegada Luísa Correia, titular da especializada, está à frente das investigações.

O Instituto de Polícia Científica da Paraíba (IPC) confirmou que os laudos da nova exumação já foram encaminhados à delegada, mas não informou quais exames foram realizados.

Procurada, a Polícia Civil informou que, por ora, não vai comentar o caso. Já a Polícia Militar, por meio de sua assessoria de comunicação, declarou que só se pronunciará oficialmente após a conclusão das investigações.

Enquanto isso, os familiares seguem cobrando justiça, afirmando que os jovens não foram vítimas de um simples acidente, mas de uma ação violenta e letal por parte do Estado.

O POVO PB

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