Farmacêuticos poderão prescrever mais medicamentos; decisão gera impasse com médicos
21 mar 2025 - Brasil - Mundo
Farmacêuticos poderão prescrever mais medicamentos; decisão gera impasse com médicos — Foto: Reprodução
A recente resolução do Conselho Federal de Farmácia (CFF) ampliando a lista de medicamentos que podem ser prescritos por farmacêuticos gerou divergências com o Conselho Regional de Medicina (CRM). A medida, publicada nesta semana, autoriza esses profissionais a receitarem medicamentos antes restritos à prescrição médica, com exceção dos controlados pela Portaria 344 da Anvisa.
O Conselho Regional de Farmácia da Paraíba (CRF-PB) celebrou a decisão, argumentando que a categoria já realiza prescrições desde 2014, quando a Lei Federal 13.021 reconheceu as farmácias como estabelecimentos de saúde. Segundo a presidente do conselho, Cila Gadelha, a ampliação fortalece o papel do farmacêutico no atendimento primário, permitindo que pacientes sejam orientados e, quando necessário, encaminhados a médicos especialistas.
CRM critica decisão e alerta para riscos
A novidade, no entanto, foi recebida com críticas pelo Conselho Regional de Medicina da Paraíba (CRM-PB). Para o representante da entidade, Leandro Borba, a resolução representa uma “ingerência na área médica”, trazendo riscos à população. Segundo ele, a prescrição deve ser exclusividade de médicos, já que envolve diagnóstico clínico aprofundado.
Outro ponto levantado pelo CRM é um possível conflito de interesses, pois o farmacêutico poderia prescrever e vender o mesmo medicamento, algo que, segundo a entidade, poderia prejudicar a imparcialidade na recomendação de tratamentos.
Como funcionará a prescrição farmacêutica?
Com a nova regra, o paciente que buscar atendimento em uma farmácia poderá realizar uma consulta farmacêutica, onde o profissional avaliará os sintomas e poderá prescrever medicamentos dentro das novas diretrizes. Se necessário, o paciente será encaminhado a um especialista, como um cardiologista ou ortopedista.
A medida, segundo o CFF, busca desafogar o sistema de saúde e garantir mais acesso a tratamentos rápidos e eficazes, especialmente em casos de menor complexidade. No entanto, a decisão ainda pode ser questionada judicialmente pelo Conselho Federal de Medicina (CFM), que já manifestou intenção de recorrer contra a ampliação da prescrição.
O POVO PB
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