Justiça marca primeira audiência de pediatra acusado de estuprar crianças em João Pessoa

2 out 2024 - Paraíba

“Talvez atrás de dinheiro”, diz pediatra acusado de série de estupros em João Pessoa — Foto: Reprodução

A Justiça da Paraíba marcou para o dia 29 de outubro a primeira audiência de instrução do médico pediatra Fernando Cunha Lima, acusado de estuprar crianças em seu consultório, na capital João Pessoa. O julgamento ocorrerá na 4ª Vara Criminal, sob a presidência do juiz José Guedes Cavalcanti Neto.

A audiência poderá ser realizada de forma presencial ou semipresencial, de acordo com a preferência das partes envolvidas no processo. Inicialmente, a defesa do médico havia indicado 38 testemunhas, mas o juiz limitou o número a oito, permitindo a inclusão de outras apenas mediante justificativa. Uma das vítimas também será ouvida por uma equipe especializada.

Na última quarta-feira (24), o magistrado negou pela quarta vez o pedido de prisão preventiva do pediatra. Segundo a decisão, a liberdade de Fernando Cunha Lima não representa risco à ordem pública, e a prisão foi considerada desnecessária neste estágio do processo. O juiz destacou que, mesmo diante da pressão popular, é preciso manter o equilíbrio e a ponderação para não julgar antecipadamente o acusado.

“A liberdade do acusado não implica risco à ordem pública e, ao contrário do que foi alegado, não há evidências concretas de que ele possa reincidir no crime”, afirmou o juiz Guedes Cavalcanti em sua decisão. No entanto, o magistrado determinou o bloqueio dos bens imóveis do médico para garantir uma possível indenização às vítimas no futuro.

Fernando Cunha Lima é réu por crimes de estupro infantil, com quatro acusações de abuso sexual contra três crianças, além de relatos de sobrinhas que também afirmam ter sofrido abusos, mas cujos casos já prescreveram. As mães das vítimas narraram que os abusos ocorriam dentro do consultório, com o médico usando táticas para obstruir a visão dos acompanhantes enquanto praticava os atos.

Embora a prisão preventiva tenha sido negada, o médico está afastado de suas funções. A suspensão temporária do exercício da medicina foi imposta tanto pelo Conselho Regional de Medicina da Paraíba (CRM-PB) quanto pela Justiça. O juiz argumentou que o afastamento profissional é suficiente para mitigar os riscos de reincidência.

As investigações sobre o caso ainda estão em curso. A polícia apura os detalhes dos crimes denunciados e trabalha para reunir as provas necessárias que possam sustentar a acusação. O Ministério Público já formalizou o pedido de condenação de Fernando Cunha Lima pelos crimes, mas o desfecho do caso dependerá da instrução processual e da avaliação das testemunhas e provas a serem apresentadas durante as audiências.

O POVO PB

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