Morte de Maria Danielle completa um mês sem respostas; investigação sobre possível negligência médica segue sem conclusão em Campina Grande

25 abr 2025 - Paraíba

Mulher que morreu após parto no ISEA — Foto: Reprodução/Instagram (@jorge.elo)

A morte de Maria Danielle Cristina Morais Sousa, de 38 anos, completa um mês nesta sexta-feira (25), ainda sem respostas conclusivas por parte das autoridades. A Polícia Civil da Paraíba e outros órgãos seguem investigando o caso, que envolve suspeitas de negligência médica na Maternidade Instituto de Saúde Elpídio de Almeida (ISEA), em Campina Grande, após a morte do bebê da gestante e a retirada do útero de Danielle, que culminou em complicações e, posteriormente, em sua morte.

Até o momento, a Polícia Civil afirmou que não comentará o andamento da investigação. Segundo o delegado Renato Leite, responsável pelo caso, até o dia 11 de abril os médicos envolvidos já haviam sido ouvidos, restando os depoimentos da equipe de enfermagem e dos técnicos. Exames periciais também seguem pendentes de conclusão.

Paralelamente, a Prefeitura de Campina Grande instaurou uma sindicância interna por meio da Secretaria Municipal de Saúde. O procedimento, que estava em andamento, foi prorrogado por mais 30 dias. O depoimento do marido de Danielle, Jorge Elô, também está previsto para esta sexta-feira (25). A gestão municipal, na época dos fatos, determinou o afastamento dos profissionais que atenderam Danielle na maternidade.

O Ministério Público da Paraíba (MPPB) acompanha o caso e informou que aguarda os resultados das sindicâncias abertas pela Secretaria de Saúde, pelo Conselho Regional de Medicina da Paraíba (CRM-PB) e pelo Conselho Regional de Enfermagem (Coren-PB).

A denúncia inicial partiu do próprio Jorge Elô, marido de Danielle, nas redes sociais. Segundo ele, o filho do casal morreu após a esposa receber uma superdosagem de um medicamento para indução do parto. O procedimento teria provocado complicações que resultaram na retirada do útero da paciente.

Danielle deu entrada no ISEA no dia 27 de fevereiro. Na manhã seguinte, exames indicaram possibilidade de parto vaginal, iniciando-se a indução com comprimidos intravaginais. Durante a madrugada do dia 1º de março, segundo relatos do marido, um médico que acompanhava o pré-natal da gestante e estava de plantão substituiu a medicação por uma intravenosa, aumentando as contrações.

Ainda segundo Jorge Elô, duas enfermeiras atenderam Danielle por volta das 6h da manhã. Uma delas teria constatado que a cabeça do bebê já estava visível, enquanto a outra teria aumentado a dosagem do medicamento sem consultar o médico. A paciente passou a vomitar e tremer, mas os sintomas teriam sido ignorados pela equipe, que atribuiu a situação a uma “reação normal”.

O marido relata ainda que a esposa chegou a desmaiar e ficou sem pulso. Em estado grave, Danielle foi levada às pressas para a sala de cirurgia, onde o bebê foi retirado já sem vida. Também foi realizada a retirada do útero da paciente.

Dois dias após receber alta, no dia 25 de março, Danielle passou mal em casa, sofreu fortes dores de cabeça, caiu, e foi socorrida pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). Ela foi levada ao Hospital Pedro I, onde faleceu horas depois. A Secretaria de Saúde de Campina Grande informou que a mulher foi internada com sinais de Acidente Vascular Cerebral (AVC) hemorrágico.

Em carta aberta dirigida ao prefeito Bruno Cunha Lima, Jorge Elô afirmou que Danielle estava confiante por saber que o parto seria conduzido pelo médico que a acompanhava. “Ela chorou ao ver o médico. Disse que confiava estar segura”, escreveu. Ele também relatou que a gestante teve um trombo aos seis meses de gravidez, mas que vinha sendo bem medicada e monitorada.

Durante coletiva de imprensa, realizada na última quarta-feira (24), a Prefeitura de Campina Grande afirmou que a morte de Danielle estaria relacionada a uma condição genética pré-existente, e não diretamente ao atendimento no ISEA.

Mesmo com diferentes frentes de apuração em andamento, o caso continua sem respostas claras. A família clama por justiça, e a população aguarda os desdobramentos de uma tragédia que expôs fragilidades no atendimento à saúde da mulher em Campina Grande.

O POVO PB

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