MPC pede auditoria em contratos milionários da Prefeitura de Cabedelo com empresa investigada pela PF

18 maio 2026 - Paraíba / Política

MPC pede auditoria em contratos milionários da Prefeitura de Cabedelo com empresa investigada pela PF — Foto: Divulgação

O Ministério Público de Contas da Paraíba (MPC-PB) pediu ao Tribunal de Contas do Estado (TCE-PB) a abertura de uma auditoria especial para investigar contratos de terceirização firmados pela Prefeitura de Cabedelo com empresas ligadas ao grupo Lemon Terceirização e Serviços Ltda.

Segundo a representação apresentada pelo procurador Bradson Tibério Luna Camelo, os contratos sob suspeita podem ultrapassar R$ 273 milhões e envolvem possíveis irregularidades em licitações realizadas entre 2019 e 2026.

O documento cita indícios de favorecimento empresarial, restrição de concorrência e até possíveis conexões do esquema com integrantes de organização criminosa investigados pela Polícia Federal e pelo Gaeco do Ministério Público da Paraíba.

O pedido acontece em meio às investigações que já resultaram no afastamento do então prefeito interino de Cabedelo, Edvaldo Neto (Avante), durante operação realizada no mês passado.

De acordo com o MPC, empresas ligadas ao grupo Lemon teriam vencido sucessivos processos licitatórios no município. A representação aponta ainda suspeitas de desclassificação irregular de empresas concorrentes que apresentaram propostas mais baratas em pregões realizados nos anos de 2024 e 2025.

Entre os elementos usados pelo Ministério Público de Contas estão relatórios do Coaf, que identificaram movimentações financeiras consideradas atípicas, além de depoimentos que apontariam o uso da estrutura da empresa para inserção de pessoas ligadas a facções criminosas em contratos públicos.

O órgão solicita que o TCE analise contratos, aditivos, folhas de pagamento, notas fiscais e registros de frequência dos trabalhadores vinculados às terceirizações. A Prefeitura de Cabedelo também deverá apresentar documentos relacionados às contratações no prazo de 15 dias úteis, caso o pedido seja aceito.

O MPC pede ainda que, se forem confirmadas irregularidades graves, o caso seja transformado em uma Tomada de Contas Especial para apuração de prejuízos aos cofres públicos e responsabilização dos envolvidos.

A representação foi encaminhada à conselheira relatora Alanna Camilla Santos Galdino Vieira.

Em nota divulgada anteriormente, após a operação da Polícia Federal, a Lemon afirmou que atua “com ética, qualidade nos serviços e respeito às normas da administração pública” e declarou estar à disposição para colaborar com as investigações.

O POVO PB

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