Novo laudo confirma que jovem foi morto por tiro de fuzil após perseguição policial em João Pessoa
24 jul 2025 - Paraíba
Instituto de Polícia Científica aponta erro inicial ao tratar caso como acidente de trânsito. Polícia Civil indiciou policial militar por duplo homicídio qualificado — Foto: Reprodução
O Instituto de Polícia Científica da Paraíba (IPC) confirmou que o jovem Guilherme Pereira, morto em novembro de 2024, no bairro Muçumagro, em João Pessoa, foi vítima de um disparo de arma de fogo e não apenas de um acidente de trânsito, como foi inicialmente divulgado pela Polícia Militar e pelo Samu. A namorada dele, Ana Luiza, que estava na garupa da motocicleta, também morreu no ocorrido.
Segundo laudos técnicos obtidos sobre a morte de Guilherme ocorreu após ser atingido por um disparo que transfixou seu crânio. A bala, de calibre semelhante à usada em fuzis, perfurou o capacete e saiu pelo lado oposto da cabeça.
A Polícia Científica afirmou que, no momento da perícia inicial, o local do crime já não estava preservado e os capacetes haviam sido retirados das vítimas. Isso, somado ao impacto da colisão com um poste, mascarou os sinais do tiro. Por essa razão, não foi realizado o exame de scanner nos corpos, o que teria identificado mais cedo o ferimento balístico.
“O acidente de trânsito acabou ocultando os sinais do disparo. Não havia orifícios evidentes, e não se suspeitou de homicídio naquele momento”, explicou a diretora do IPC, Raquel Azevedo.
O diretor do Numol (Núcleo de Medicina e Odontologia Legal), Flávio Fabres, declarou que a confirmação do disparo só foi possível após técnicas avançadas de reconstituição do crânio, explodido pelo impacto da bala. Ele acrescentou que projéteis de fuzil não são comuns em casos cotidianos e que, inicialmente, não foi detectado nenhum orifício típico de entrada ou saída de projétil.

Casal de jovens que morre em acidente na PB-008; familiares suspeitam de disparos de arma de fogo — Foto: Reprodução
Polícia Civil indiciou PM por duplo homicídio qualificado
A Delegacia de Homicídios indiciou o policial militar Tiago Almeida Filho por duplo homicídio qualificado. O documento de indiciamento aponta que o tiro causou a perda de controle da moto e, consequentemente, o acidente que matou o casal. A bala teria partido de uma das armas usadas durante a perseguição policial.
O inquérito indica que quatro policiais militares participaram da ação, mas apenas Tiago Almeida Filho foi indiciado. Segundo a delegada Luísa Correia, não há, até o momento, indícios de conduta criminosa por parte dos outros policiais.
O superintendente da Polícia Civil de João Pessoa, Cristiano Santana, afirmou que, se surgirem novos elementos, os demais agentes também poderão ser responsabilizados. Ele confirmou que uma testemunha relatou ter ouvido um disparo, o que motivou a reabertura da investigação, anteriormente tratada como acidente de trânsito.
Defesa e atuação da Corregedoria
O advogado do policial indiciado, Luiz Pereira, afirmou por nota que o indiciamento carece de elementos robustos e que espera afastar a autoria nas próximas fases do processo.
A Corregedoria da Polícia Militar afirmou, em nota, que ainda não foi oficialmente comunicada sobre o indiciamento, mas já instaurou uma investigação preliminar. O PM foi transferido do setor operacional para uma função administrativa.
Exumação confirmou o tiro
A reviravolta no caso começou após a exumação dos corpos dos jovens, realizada em julho, a pedido do pai de Guilherme Pereira. Ele alegava desde o início que o casal havia sido morto a tiros por policiais. Um laudo pericial particular reforçou essa tese, apontando perfurações compatíveis com projéteis de arma de fogo.
Os corpos foram novamente sepultados no cemitério Nossa Senhora da Boa Morte, em Bayeux.
O caso
Na madrugada de 30 de novembro de 2024, Guilherme e Ana Luiza estavam em uma motocicleta quando colidiram com um poste no bairro Muçumagro. De acordo com a PM, os jovens fugiam de uma abordagem policial após uma denúncia de festa ilegal na Praia do Sol. Três motocicletas com casais teriam sido avistadas em alta velocidade. Apenas uma delas foi interceptada; as outras seguiram em fuga. A moto em que estavam Guilherme e Ana Luiza bateu durante a perseguição.
O Samu foi acionado, mas os jovens já estavam sem vida quando a equipe chegou.

Polícia Civil da Paraíba indicia PM por duplo homicídio de casal morto após colisão de moto em João Pessoa — Foto: Reprodução
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