Operação começou após denúncia de traficante contra policiais; veja quem são os presos na Operação Perfídus

2 jun 2026 - Notícias

Polícia Civil da Paraíba — Foto: Divulgação

A investigação que resultou na prisão de um delegado e dois agentes da Polícia Civil da Paraíba teve início após uma denúncia feita por um integrante de organização criminosa. A informação foi revelada nesta terça-feira (2) pelo delegado Rafael Bianchi, da Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Draco), durante entrevista coletiva sobre a Operação Perfídus.

Segundo o delegado, as apurações começaram em fevereiro de 2025, quando um traficante denunciou que uma carga de drogas havia sido supostamente desviada por policiais civis durante uma ação.

“A partir dessa denúncia, identificamos o denunciante, verificamos que ele integrava uma organização criminosa e passamos a monitorar a rotina dos policiais investigados”, explicou Rafael Bianchi.

A investigação evoluiu ao longo dos meses e culminou na deflagração da Operação Perfídus, que cumpriu nove mandados de prisão e 24 mandados de busca e apreensão em João Pessoa e região. A Justiça também determinou o bloqueio de aproximadamente R$ 10 milhões em bens e valores ligados aos investigados.

Como funcionava o esquema

De acordo com a Polícia Civil e o Ministério Público da Paraíba (MPPB), o grupo utilizava informações privilegiadas obtidas dentro da estrutura policial para beneficiar integrantes do tráfico de drogas.

As investigações apontam que operações clandestinas eram realizadas com base em informações sigilosas sobre imóveis, veículos e movimentações de traficantes. Parte das drogas apreendidas nessas ações teria sido desviada e revendida ilegalmente.

Outro ponto investigado é o suposto vazamento de dados sobre operações policiais, permitindo que criminosos escapassem de prisões e evitassem ações das forças de segurança.

O nome da operação, Perfídus, faz referência à palavra que significa “traição” ou “deslealdade”, em alusão à conduta atribuída aos investigados.

Quem é o delegado preso

Entre os alvos da operação está o delegado Bráz Morrone, atualmente lotado na Delegacia de Crimes Contra o Patrimônio (DCCPAT), em João Pessoa. Com mais de duas décadas de atuação na Polícia Civil, ele também passou por unidades especializadas no combate ao tráfico de drogas e ocupou cargos de destaque na corporação.

Também foram presos os agentes da Polícia Civil:

  • Everton Rychelyson da Silva Aires, conhecido como “Bomba” ou “Bombado”, apontado como elo entre policiais e traficantes e responsável pela articulação das ações do grupo;
  • Eduardo Jorge Ferreira do Egito, conhecido como “Mão Branca”, suspeito de participar diretamente do desvio de drogas, monitoramento de cargas ilícitas e ocultação de entorpecentes.

Veja os demais presos na operação

Além dos policiais civis, foram presos:

  • João Wicttor Alves de Lima;
  • Brendo Roberth Fernandes Sobral;
  • Paulo Ricardo Barbosa de Souza, conhecido como “Galinha”;
  • José Alexandrino de Lira Júnior, o “Júnior Lira”;
  • Vanessa Dantas Fernandes;
  • Dankennedy Vieira Brito da Silva, conhecido como “Babau”.

Até a publicação desta matéria, as defesas dos investigados não haviam se pronunciado sobre as acusações.

As investigações seguem em andamento e novas diligências não estão descartadas pelas autoridades.

O POVO PB

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