Operação ‘En Passant’: PF e Gaeco investigam facção e envolvimento político em Cabedelo
20 nov 2024 - Paraíba / Política
Polícia Federal realiza operação para investigar influência criminosa nas eleições de Cabedelo, na Paraíba — Foto: Divulgação
Na terça-feira (19), a Polícia Federal e o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) cumpriram diversos mandados de busca e um de prisão em Cabedelo, Região Metropolitana de João Pessoa, como parte da segunda fase da Operação En Passant. A ação foi autorizada pelo Tribunal Regional Eleitoral da Paraíba (TRE-PB) e investiga a relação entre uma facção criminosa que atua no tráfico de drogas e figuras políticas do município, incluindo o atual prefeito, Vitor Hugo (Avante), e o prefeito eleito, André Coutinho (Avante).
Ambos os políticos negaram qualquer envolvimento com as práticas ilícitas investigadas e declararam estar à disposição da Justiça e da Polícia Federal para colaborar com o caso.
A operação investiga há meses as ligações entre o crime organizado e a política local. A primeira fase trouxe indícios preocupantes, como o depoimento de um vereador que teria sido ameaçado por se recusar a nomear indicados do traficante Flávio de Lima Monteiro, conhecido como “Fatoka”.
Após a recusa, o grupo teria destruído a casa de familiares do parlamentar e feito ameaças a outros moradores, forçando algumas pessoas a deixarem a cidade. Documentos obtidos pela PF indicam que pessoas ligadas à facção foram posteriormente nomeadas para cargos na prefeitura e em empresas prestadoras de serviços municipais.
Um dos principais alvos da segunda fase foi a servidora Flávia Monteiro, apontada como intermediária entre a facção e a administração pública. Ela foi presa e teve sua prisão mantida em audiência de custódia.
Cabedelo enfrenta um cenário de violência crescente, marcado pela disputa entre facções, pichações no fórum eleitoral e assassinatos relacionados ao tráfico. Esse contexto motivou o pedido de tropas federais durante as eleições municipais deste ano.
Além disso, a investigação apura se a facção tentou articular candidaturas para o Legislativo municipal, reforçando a hipótese de interferência política pelo uso da força e ameaças.
O caso de Cabedelo guarda semelhanças com outras operações realizadas em João Pessoa, como a Território Livre e a Mandare, onde grupos criminosos também atuaram na política como extensão de suas atividades ilícitas.
As evidências apontam para um modelo de interferência no poder público que coloca em risco a democracia, segundo os investigadores. Ao se infiltrar na política, as facções ampliam seu controle territorial e acesso a recursos, desafiando a ordem pública e a integridade das instituições.
A Operação En Passant segue em curso, e a expectativa é de que novas revelações possam aprofundar as investigações e levar a responsabilizações tanto no âmbito político quanto criminal.
O POVO PB
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