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Operação Falso Score mira grupo suspeito de ‘limpar’ nomes com decisões judiciais na Paraíba
30 set 2026 - Notícias
Polícia Civil cumpriu oito mandados em João Pessoa e Cabedelo; investigação aponta esquema que retirava temporariamente dívidas dos cadastros de inadimplentes — Foto: Divulgação
Um grupo suspeito de usar decisões judiciais para retirar temporariamente dívidas de consumidores dos cadastros de inadimplentes foi alvo da Operação Falso Score nesta quarta-feira (30), na Paraíba.
Ao todo, foram cumpridos oito mandados de busca e apreensão: sete em João Pessoa, nos bairros de Manaíra, Cabo Branco e Tambaú, e um em Cabedelo, na Região Metropolitana. Durante a operação, os policiais apreenderam três carros, joias, dinheiro, celulares e notebooks. Os nomes dos alvos não foram divulgados.
A operação é conduzida pela Polícia Civil de São Paulo e investiga o que ficou conhecido como “indústria do limpa nome”, um esquema que, segundo a investigação, reunia empresas, associações e escritórios de advocacia para conseguir decisões provisórias capazes de fazer consumidores e empresas aparecerem, por determinado período, sem restrições de crédito.
A estimativa da polícia é de que o esquema tenha movimentado um prejuízo de R$ 130 bilhões em todo o país.
Segundo a investigação, pessoas que estavam com o nome negativado eram reunidas em ações coletivas. A partir de pedidos feitos à Justiça, eram obtidas liminares que determinavam a retirada temporária das restrições.
Na prática, enquanto a decisão estivesse valendo, uma consulta ao nome ou à empresa poderia não apresentar aquela dívida.
O problema, segundo a apuração, é que as decisões tinham caráter provisório. Quando as liminares eram derrubadas, as dívidas voltavam a aparecer nos cadastros.
Grupo da Paraíba está entre os investigados
Na Paraíba, uma das entidades investigadas é o Grupo Amigos do Consumidor (GAC). Conforme a apuração, o grupo teria atuado no ajuizamento das ações e também mantido uma estrutura financeira relacionada ao esquema.
A operação também realizou diligências em São Paulo, onde, segundo os investigadores, ocorreria parte da captação dos consumidores.
A apuração também envolve decisões judiciais concedidas na Paraíba. Os casos foram mencionados em reportagem do Fantástico, da TV Globo, e envolvem os magistrados Glauco Coutinho Marques, da comarca de Gurinhém, e Daniele Ferreira de Souza, de Caaporã.
Segundo o Ministério Público, Glauco Marques é investigado sob suspeita de ter recebido R$ 300 mil em propina para conceder decisões favoráveis ao grupo. Ele já é réu e está afastado do cargo desde 2024.
A defesa do magistrado nega qualquer ligação dele com a associação e afirma que não houve conluio.
No caso de Caaporã, a investigação aponta que a juíza Daniele Ferreira de Souza teria concedido 19 liminares em favor da entidade, beneficiando milhares de devedores. Os promotores também apontaram que parte das pessoas beneficiadas não teria relação com o município ou com a Paraíba.
A entidade citada nesse caso é a Associação Brasileira de Defesa do Consumidor, apontada na investigação como denominação anterior do GAC, com a mesma diretoria.
A juíza é investigada pelo Ministério Público e pela Corregedoria do Tribunal de Justiça da Paraíba. A defesa afirma que ela nunca manteve contato com os advogados das associações e que tomou as decisões dentro das atribuições do cargo.
Os mandados cumpridos nesta quarta-feira fazem parte do avanço da Operação Falso Score. Como os nomes dos alvos da fase realizada na Paraíba não foram divulgados, não é possível afirmar que os dois magistrados estejam entre as pessoas atingidas pelas medidas desta quarta-feira.
A investigação ainda deve analisar documentos, aparelhos eletrônicos e demais materiais apreendidos para esclarecer a participação de cada envolvido.
O POVO PB
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