Operação Perfidus: veja quem são os presos em operação que apura esquema de tráfico, corrupção e vazamento de informações na Polícia Civil da Paraíba

2 jun 2026 - Manchete Destaque

Investigação aponta vazamento de informações sigilosas, desvio de drogas apreendidas e movimentação milionária de organização criminosa  — Foto: Edcarlos Santana

Uma operação conjunta da Polícia Civil da Paraíba e do Ministério Público da Paraíba (MPPB) resultou, nesta segunda-feira (2), na prisão de um delegado e dois investigadores da Polícia Civil suspeitos de participação em uma organização criminosa envolvida com tráfico de drogas, corrupção e vazamento de informações sigilosas.

Batizada de Operação Perfidus, a ação cumpriu nove mandados de prisão temporária e 24 mandados de busca e apreensão em diferentes cidades. A Justiça também determinou o bloqueio de aproximadamente R$ 10 milhões em bens e valores ligados aos investigados.

Entre os presos está o delegado Braz Morrone, que ocupava a chefia da Delegacia de Crimes Contra o Patrimônio (DCCPAT) e já comandou o Grupo de Operações Especiais (GOE), considerado uma das unidades de elite da Polícia Civil paraibana. Um investigador que também atuava na mesma delegacia está entre os alvos da operação.

Os investigados foram encaminhados para exames de corpo de delito no Instituto de Polícia Científica (IPC), etapa obrigatória antes do encaminhamento às unidades prisionais.

Segundo informações obtidas pela reportagem, os mandados expedidos são de prisão temporária, com prazo inicial de 30 dias, podendo ser prorrogados caso novas provas sejam reunidas durante as investigações.

Durante a operação, equipes apreenderam celulares, computadores, documentos, armas de fogo e coletes balísticos pertencentes aos policiais investigados. Todo o material será analisado para aprofundar as apurações.

Como funcionava o esquema

De acordo com o Ministério Público e a Polícia Civil, a organização criminosa utilizava informações privilegiadas sobre imóveis, veículos e alvos monitorados em investigações de tráfico de drogas.

Com acesso a esses dados, integrantes do grupo realizavam ações clandestinas e, segundo a investigação, utilizavam a estrutura do Estado para favorecer atividades criminosas.

As apurações apontam ainda que parte das drogas apreendidas em operações policiais era desviada e revendida ilegalmente. Em alguns casos, apenas uma parte do material apreendido seria oficialmente registrada, enquanto o restante teria sido destinado ao comércio clandestino.

Outro ponto investigado envolve o suposto repasse de informações sigilosas sobre operações policiais, permitindo que traficantes evitassem prisões e escapassem de ações das forças de segurança.

Lista de presos

Além do delegado Brás Morrone, foram presos:

  • Eduardo Jorge Ferreira do Egito, conhecido como “Mão Branca”;
  • Everton Richelson da Silva Aires, o “Bomba”;
  • João Vitor Alves de Lima;
  • Breno Robert Fernandes Sobral;
  • Paulo Ricardo Barbosa de Souza;
  • José Alexandrino de Lira Júnior, conhecido como “Júnior Lira”;
  • Vanessa Dantas Fernandes;
  • Dan Kenny de Vieira Brito da Silva, conhecido como “Babau”.

Segundo a investigação, os suspeitos integravam uma estrutura criminosa que teria atuado por meio do tráfico de drogas e do uso indevido de informações obtidas dentro da própria atividade policial.

Nome da operação

O nome Perfidus faz referência à palavra latina que significa “traidor” ou “desleal”. Segundo os investigadores, a escolha remete à conduta atribuída aos suspeitos, que teriam utilizado cargos públicos e prerrogativas do Estado para beneficiar atividades criminosas.

A Polícia Civil e o Ministério Público devem apresentar novos detalhes da investigação durante coletiva de imprensa. O caso segue sob sigilo e novas fases da operação não estão descartadas.

Operação prende delegado e policiais civis suspeitos de ligação com tráfico de drogas na Paraíba

 

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