PF aponta uso de 549 CPFs de pessoas mortas em operações ligadas à Pixbet

14 ago 2026 - Manchete Destaque

Investigação da Operação Arena apura suspeitas de lavagem de dinheiro e evasão de divisas envolvendo apostas esportivas — Foto: Reprodução

A Polícia Federal identificou 549 CPFs pertencentes a pessoas mortas em documentos relacionados a operações financeiras investigadas na Operação Arena, que tem a Pixbet entre os alvos. A ação apura um suposto esquema de lavagem de dinheiro e evasão de divisas ligado ao mercado de apostas esportivas.

Segundo a PF, alguns dos titulares dos documentos usados nas transações morreram há mais de 20 anos. As informações constam em uma representação encaminhada à Justiça Federal.

De acordo com os investigadores, os CPFs teriam sido utilizados para atribuir falsas identidades a operações de câmbio realizadas sem autorização, com o objetivo de movimentar dinheiro para fora do Brasil.

A irregularidade chegou a ser detectada pelo sistema responsável por autorizar a compra de moeda estrangeira. Um alerta foi encaminhado ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). Mesmo depois da identificação do problema, segundo a PF, os números de CPF continuaram aparecendo nas operações.

Os investigadores afirmam ainda que não está esclarecido como os dados das pessoas falecidas foram obtidos. A hipótese considerada pela Polícia Federal é de que a empresa investigada não tenha sido apenas vítima de uma fraude documental, mas que possa ter participado ativamente das operações.

Dinheiro teria sido enviado para Curaçao

A Operação Arena investiga a utilização de empresas e estruturas financeiras no exterior para esconder a origem e o destino de recursos provenientes de apostas esportivas e jogos de azar.

Conforme a PF, parte do dinheiro era enviada para Curaçao, onde estaria registrada uma empresa considerada de fachada, sem funcionários e sem atividade econômica compatível.

O dinheiro chegaria ao exterior por meio de empresas de compensação financeira. Depois, retornaria ao Brasil apresentado como pagamento por supostos serviços prestados no exterior, dando aparência de legalidade aos recursos.

A investigação aponta que a estratégia poderia envolver crimes como lavagem de dinheiro, evasão de divisas, sonegação fiscal e outras infrações contra o sistema financeiro.

Pixbet teve operação suspensa

Após a deflagração da operação, o Ministério da Fazenda determinou a suspensão imediata das atividades da Pixbet, além do cancelamento das apostas em andamento e da devolução dos valores apostados aos usuários.

A Operação Arena cumpriu 17 mandados de busca e apreensão na Paraíba, São Paulo, Sergipe, Rio de Janeiro e Paraná. Também foram determinadas quebras de sigilos bancário e telemático e o sequestro de até R$ 1,1 bilhão em bens e valores.

Em Campina Grande, o empresário Ernildo Júnior, apontado como um dos donos da Pixbet, foi abordado por agentes federais. O veículo em que ele estava e o celular foram apreendidos.

Em São Paulo, o advogado Nelson Wilians também foi alvo de busca e apreensão. A defesa afirmou que a relação do escritório com a Pixbet é exclusivamente profissional e decorrente da prestação de serviços jurídicos.

Procurada, a defesa da Pixbet afirmou que foi surpreendida pela operação e que ainda não havia tido acesso à decisão judicial que autorizou as medidas. A empresa informou que se manifestaria após analisar o conteúdo da investigação.

O POVO PB

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