Polícia Civil pede prisão preventiva de delegado e agentes investigados por desvio de drogas na Paraíba

16 jul 2026 - Manchete Destaque

Delegado Braz Morrone está entre os presos da operação — Foto: Reprodução

A Polícia Civil da Paraíba pediu à Justiça a prisão preventiva do delegado Braz Morroni e dos agentes Everton Aires e Eduardo Jorge, investigados na Operação Perfídus. Os três já estão presos temporariamente desde a deflagração da operação e permanecem no Presídio Especial do Valentina, em João Pessoa.

Segundo o relatório final do inquérito, os policiais foram indiciados pelos crimes de furto qualificado, abuso de autoridade, falsificação de documento público e fraude processual.

Um dos principais pontos da investigação envolve uma ação realizada em um apartamento, em setembro de 2025. Conforme o inquérito, aproximadamente 60 quilos de drogas teriam sido encontrados no imóvel, mas apenas 3 quilos foram apresentados oficialmente na delegacia.

A diferença entre a quantidade localizada e o material registrado teria valor estimado em R$ 2,1 milhões, segundo a investigação. A suspeita é de que parte dos entorpecentes tenha sido retirada pelos próprios policiais.

Boletim teria informações diferentes do que ocorreu na ação

A Polícia Civil também aponta que o boletim de ocorrência sobre o caso foi registrado três dias depois e apresentava informações que não correspondiam ao que teria sido encontrado no apartamento, especialmente em relação à quantidade de drogas.

O indiciamento por abuso de autoridade ocorreu porque, conforme a investigação, os policiais teriam entrado no imóvel sem autorização do morador, mandado judicial ou situação de flagrante que justificasse o acesso.

Já a suspeita de fraude processual está relacionada ao envio de apenas uma parte das drogas para perícia. Para os investigadores, a conduta teria alterado o conjunto de provas que poderia ser utilizado posteriormente no processo.

Ao solicitar a conversão das prisões em preventivas, a Polícia Civil argumentou que outras medidas cautelares seriam insuficientes e apontou riscos de fuga e de destruição de provas. A decisão sobre a manutenção das prisões caberá agora à Justiça.

Operação investiga esquema envolvendo policiais e traficantes

A Operação Perfídus apura a atuação de uma suposta organização criminosa com participação de agentes públicos e suspeitas de tráfico de drogas, corrupção e vazamento de informações sigilosas.

Ao todo, foram cumpridos nove mandados de prisão e 24 de busca e apreensão. A Justiça também determinou o bloqueio de aproximadamente R$ 10 milhões ligados aos investigados.

As suspeitas de tráfico de drogas e associação para o tráfico envolvendo os policiais são investigadas separadamente em outro inquérito.

A defesa de Everton Aires informou não ter conhecimento sobre a conclusão do inquérito. Já a defesa de Eduardo Jorge afirmou que ainda não poderia se manifestar sobre o conteúdo de um eventual pedido de prisão e disse esperar um processo “democrático, justo e honesto”. A defesa de Braz Morroni não havia se manifestado até a última atualização.

O POVO PB

Acompanhe as notícias do POVOPB pelas redes sociais: Instagram e Twitter.

Verified by ExactMetrics