Pressão arterial de 12 por 8 deixa de ser considerada “perfeita” e passa a ser classificada como pré-hipertensão

21 set 2025 - Brasil - Mundo

Pressão arterial de 12 por 8 deixa de ser considerada “perfeita” e passa a ser classificada como pré-hipertensão — Foto: Reprodução

Durante décadas, a pressão arterial de 12 por 8 mmHg foi considerada o padrão-ouro, símbolo de saúde perfeita. No entanto, uma nova diretriz divulgada por três das principais sociedades médicas do país — a Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), a Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN) e a Sociedade Brasileira de Hipertensão (SBH) — mudou essa interpretação.

Agora, valores de 12 por 8 passam a ser classificados como pré-hipertensão, com base em evidências científicas que associam esse nível a maior risco de doenças cardiovasculares e renais. O anúncio foi feito durante o 80º Congresso Brasileiro de Cardiologia, realizado em São Paulo.

Como fica a nova classificação

  • Normal: abaixo de 12 por 8 (ou 120 x 80 mmHg);

  • Pré-hipertensão: entre 12 por 8 e 13,9 por 8,9;

  • Hipertensão: a partir de 14 por 9.

Antes, a faixa de 12 por 8 a 13,9 por 8,9 era chamada de “normal limítrofe”. A mudança ocorre porque estudos de longo prazo comprovaram que mesmo nessa faixa já há risco aumentado de infarto, AVC e doença renal crônica.

Por que a mudança?

Pesquisas internacionais com centenas de milhares de pessoas mostraram que a cada aumento de 2 pontos na pressão diastólica (número inferior), o risco de acidente vascular cerebral pode crescer até 7%. Isso significa milhares de novos casos quando analisados em escala populacional.

O que fazer na prática

Estar na faixa de pré-hipertensão não significa doença instalada, mas exige atenção redobrada. As recomendações incluem:

  • Reduzir o consumo de sal — no Brasil, a média é de 9 a 12g/dia, mais que o dobro do limite da OMS (5g/dia);

  • Praticar atividade física regularmente;

  • Controlar peso e circunferência abdominal;

  • Evitar cigarro e excesso de álcool;

  • Dormir bem e reduzir estresse.

Em casos específicos, como pacientes com diabetes, histórico de infarto ou doença renal, os médicos poderão indicar tratamento medicamentoso ainda na fase de pré-hipertensão.

  • “12 por 8 não era perfeito?”
    Sim, já foi considerado ideal, mas as novas evidências mostram que há riscos mesmo nesse patamar.

  • “Tenho 13 por 8, preciso tomar remédio?”
    Nem sempre. Geralmente, primeiro recomenda-se mudança de hábitos, mas pacientes com outros fatores de risco podem precisar de medicação.

  • “Vale também para crianças?”
    Não. Crianças e adolescentes têm tabelas específicas, mas a obesidade infantil já aumenta os casos de hipertensão precoce.

Especialistas reforçam que a mudança na classificação não deve ser encarada com pavor, mas como um alerta de prevenção. A pressão arterial continua sendo um dos sinais vitais mais importantes da medicina, capaz de indicar riscos futuros e ajudar a salvar vidas.

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