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Quase 40% das estudantes faltam às aulas por causa da menstruação, aponta debate sobre dignidade menstrual
2 jun 2026 - Notícias
Absorventes para pessoas de baixa renda — Foto: Divulgação
Um tema que ainda enfrenta silêncio em muitos ambientes ganhou destaque durante debate sobre dignidade menstrual na Paraíba. Dados apresentados durante a discussão mostram que quase 40% das estudantes deixam de frequentar as aulas em algum momento por causa de cólicas intensas, dores e dificuldades relacionadas ao período menstrual.
O número acende um alerta para um problema que vai além da saúde e impacta diretamente o aprendizado, a permanência escolar e a igualdade de oportunidades entre meninas e meninos.
Para a socióloga e professora Eveline, a menstruação ainda é cercada por preconceitos e tabus que dificultam o acesso à informação e a políticas públicas mais eficazes.
“Menstruar é algo natural na vida de milhões de mulheres, mas ainda existe muita dificuldade para tratar o tema com normalidade. Precisamos falar sobre menarca, menopausa e ciclo menstrual sem constrangimentos”, destacou.
Segundo a especialista, a chamada dignidade menstrual não envolve apenas o acesso a absorventes, mas também informação, acolhimento e estrutura adequada para quem menstrua.
Ela defende que o tema esteja presente dentro das escolas por meio de atividades educativas, rodas de conversa e conteúdos trabalhados em diferentes disciplinas.
“A escola tem um papel fundamental. É um espaço de formação e pode ajudar a combater preconceitos, ampliar o conhecimento e criar um ambiente mais acolhedor para as estudantes”, explicou.
Pobreza menstrual afeta milhares de brasileiras
Outro ponto destacado durante o debate foi a realidade da pobreza menstrual, situação vivida por pessoas que não possuem condições financeiras para adquirir itens básicos de higiene durante o período menstrual.
A discussão ganhou força em todo o país principalmente após a pandemia, quando a vulnerabilidade social de muitas famílias ficou ainda mais evidente.
Desde 2024, o Governo Federal disponibiliza absorventes gratuitos por meio do Programa Farmácia Popular para pessoas inscritas no Cadastro Único (CadÚnico) e que atendam aos critérios estabelecidos pelo programa.
Para Eveline, garantir o acesso a esses produtos é uma questão de saúde pública e de cidadania. “Quando falamos de dignidade menstrual, estamos falando de educação, saúde, inclusão e respeito. Nenhuma estudante deveria perder aula por falta de estrutura ou de acesso a um item básico de higiene”, ressaltou.
Especialistas defendem que a construção da dignidade menstrual depende da atuação conjunta da escola, da família, dos serviços de saúde e do poder público. O objetivo é reduzir desigualdades e garantir que meninas e mulheres possam exercer suas atividades diárias sem limitações impostas pela falta de informação ou de recursos.
O POVO PB
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