TSE determina suspensão de canal “Exército do Lula” no WhatsApp após pedido de Flávio Bolsonaro

11 out 2026 - Manchete Destaque

Decisão de Nunes Marques foi tomada em processo sobre suposto descumprimento de regras da plataforma. Canal coordenado por André Janones teria ultrapassado 3 milhões de seguidores após o primeiro turno — Foto: Divulgação

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, determinou a suspensão do canal “Exército do Lula”, no WhatsApp, após um pedido apresentado pela campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL). A decisão foi tomada neste sábado (10), segundo as informações do caso.

Coordenado pelo deputado eleito André Janones (Rede-MG), o canal é utilizado para distribuir áudios, vídeos e orientações a apoiadores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Conforme o relato apresentado, o número de seguidores teria saltado de 50 mil para mais de 3 milhões após o fim do primeiro turno.

Por que o canal foi suspenso?

No despacho, Nunes Marques afirmou que o canal teria se tornado um meio de disseminação em escala nacional de conteúdos que, segundo ele, já haviam sido considerados sem fundamento mínimo pela Justiça Eleitoral.

O ministro ressaltou que a medida não tem como objetivo impedir a mobilização de apoiadores, críticas políticas ou pedidos de votos nas redes sociais. O foco, segundo a decisão, seria a utilização de uma estrutura de transmissão em massa para reproduzir conteúdos considerados inverídicos, inclusive com orientações para contornar mecanismos de proteção da plataforma.

A decisão foi tomada em um procedimento administrativo que questiona se o WhatsApp deve aplicar ao canal medidas previstas em suas próprias regras de conformidade durante o período eleitoral.

A determinação de Nunes Marques foi tomada em um processo distinto daquele que estava sob análise do ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, corregedor-geral da Justiça Eleitoral.

Em outra ação apresentada pela campanha de Flávio Bolsonaro, Cueva havia determinado prazo de cinco dias para que André Janones e Lula se manifestassem sobre as acusações. A campanha do senador também deveria apresentar informações e arquivos que sustentassem as supostas irregularidades atribuídas ao canal.

Ao analisar esse processo, Cueva afirmou que o recebimento da ação não representava reconhecimento da veracidade das alegações nem confirmação de que os abusos apontados teriam ocorrido.

O corregedor também solicitou informações para verificar se havia pedidos semelhantes em outros processos, a fim de evitar decisões conflitantes e preservar a segurança jurídica.

Embora tenha reconhecido a existência da outra ação, Nunes Marques determinou o envio de uma cópia de seu despacho e do pedido de Flávio Bolsonaro a Cueva, para que o corregedor adotasse as providências que considerasse necessárias.

Antes de um ato na Avenida Paulista, neste domingo (11), Lula criticou a decisão da Justiça Eleitoral e classificou a medida como “tendenciosa” contra a candidatura do PT.

Segundo as informações do processo, o pedido encaminhado a Nunes Marques chegou ao gabinete do ministro às 16h24 de sábado (10).

Diferentemente da ação direcionada a Cueva, que questionava o conteúdo divulgado no canal, a petição apresentada ao presidente do TSE alegava descumprimento de compromissos assumidos pelo WhatsApp para o período eleitoral de 2026.

Nunes Marques analisou se a plataforma deveria ser obrigada a aplicar ao canal as medidas que declarou adotar contra canais que violem suas diretrizes.

O POVO PB

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