Vereador de Junco do Seridó defende pressão por voto em servidores contratados: ‘Prefeito é para obrigar’

8 set 2026 - Notícias / Política

Roberto Cândido (União Brasil) disse que funcionários deveriam apoiar candidatos indicados pela gestão municipal. Declaração repercutiu nas redes sociais e levantou debate sobre a relação entre emprego público e eleição — Foto: Divulgação

Uma declaração do vereador Roberto Cândido (União Brasil), de Junco do Seridó, no Sertão da Paraíba, provocou repercussão ao defender que servidores contratados pela Prefeitura sejam pressionados a votar nos candidatos apoiados pelo prefeito.

O discurso foi feito na Câmara Municipal durante uma sessão na semana passada. Na ocasião, o parlamentar chegou a afirmar que o gestor deveria chamar os funcionários individualmente para apresentar sua chapa.

“O prefeito é para obrigar mesmo o povo a votar. Eu já disse a ele várias vezes. Chame um por um no seu gabinete e diga: aqui está minha chapa”, declarou.

A fala gerou críticas por envolver uma prática que associa emprego público e apoio eleitoral, especialmente em municípios pequenos, onde a dependência de vínculos com a administração pode ter peso significativo nas eleições.

Vereador fala em ‘reconhecimento’ pelo emprego

Durante o pronunciamento, Roberto Cândido também defendeu que servidores contratados que não acompanhem politicamente a gestão deveriam deixar os cargos.

Segundo ele, quem recebeu uma oportunidade de trabalho por meio da administração municipal deveria demonstrar gratidão nas urnas.

“Acho que quem recebeu pela primeira vez deve ser grato, reconhecer através do voto”, afirmou.

O município de Junco do Seridó é administrado pelo prefeito Paulo Fragoso (PSB), conhecido como Doutor Paulo. O gestor integra a base política do Governo Lucas Ribeiro (PP).

Junco tem mais contratados do que efetivos

Dados do Sagres, do Tribunal de Contas do Estado da Paraíba (TCE-PB), citados no levantamento, apontam que o município possui 182 cargos comissionados, 69 servidores contratados por excepcional interesse público e 220 servidores efetivos.

Somados, os vínculos sem concurso mencionados no levantamento representam um contingente expressivo dentro da estrutura administrativa municipal.

A declaração do vereador, porém, não significa que o prefeito tenha determinado qualquer tipo de pressão sobre servidores. A manifestação partiu do próprio parlamentar durante seu discurso na Câmara.

‘Voto de liderança’ volta ao debate

O episódio reacende uma discussão antiga na política do interior: até onde vai a influência de prefeitos e lideranças sobre pessoas que dependem de empregos ou contratos públicos.

A prática é frequentemente associada ao chamado “voto de cabresto”, expressão historicamente usada para descrever formas de pressão ou controle do eleitorado.

No cenário atual, a influência pode aparecer de maneira mais indireta, por meio de alianças políticas e da força de lideranças locais.

A declaração do vereador chamou atenção justamente por expor, de maneira direta, uma visão sobre essa relação entre emprego público, lealdade política e voto.

 

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