Suposto esquema de corrupção e interesses financeiros revela novos detalhes chocantes do assassinato de Marielle Franco
27 maio 2024 - Brasil - Mundo
Marielle Franco — Foto: Reprodução
A investigação sobre o assassinato da vereadora Marielle Franco, conforme divulgado pelo grupo Globo, trouxe novos detalhes à tona, revelando um suposto esquema de corrupção e interesses financeiros. A delação premiada de Ronnie Lessa, um dos acusados do crime, revelou a complexa trama envolvendo políticos, milicianos e altos valores.
Segundo Lessa, a morte de Marielle foi motivada por questões financeiras, envolvendo um loteamento clandestino na Zona Oeste do Rio de Janeiro, que poderia render milhões de reais aos envolvidos. Lessa afirmou que não foi contratado como assassino de aluguel, mas sim convidado para ser sócio do empreendimento ilegal.
A delação também menciona a participação de Edilson de Oliveira, conhecido como Macalé, ex-policial militar que teria intermediado o contato com Lessa. Macalé foi assassinado em novembro de 2021. Lessa identificou os irmãos Domingos e Chiquinho Brazão como os mandantes do crime. Domingos Brazão é conselheiro do Tribunal de Contas do Estado do Rio, enquanto seu irmão, Chiquinho Brazão, é deputado federal.
Segundo o relato de Lessa, Marielle Franco era vista como um obstáculo para os negócios da milícia na Zona Oeste. Ela teria convocado reuniões com lideranças comunitárias para discutir o impacto dos loteamentos ilegais. Essa atuação teria motivado os mandantes a ordenar seu assassinato.
A Polícia Federal ainda não conseguiu comprovar os encontros entre Lessa e os irmãos Brazão. Entretanto, Lessa detalhou que Domingos Brazão teria afirmado que o delegado Rivaldo Barbosa, então chefe da Delegacia de Homicídios do Rio, participava do plano. Barbosa foi acusado de receber pagamentos desde 2017 e de tentar proteger os mandantes após o crime.
Lessa foi preso um ano após o assassinato de Marielle e Anderson Gomes. A arma usada no crime nunca foi encontrada. A delação de Lessa foi homologada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou as prisões dos irmãos Brazão e de Rivaldo Barbosa. Eles estão em presídios federais.
A Procuradoria Geral da República denunciou os mandantes do crime, e o ministro Alexandre de Moraes, do STF, ainda decidirá se aceita a denúncia.
As defesas dos acusados negam as acusações e criticam a investigação da Polícia Federal, que se baseia principalmente no depoimento de Lessa.
O partido PSOL, ao qual Marielle Franco pertencia, declarou que o monitoramento de seus parlamentares por milicianos é um grave indício de que criminosos estão infiltrados no Estado do Rio de Janeiro.
O POVO PB
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