Operação ‘En Passant’: PF e Gaeco investigam corrupção eleitoral e elo entre facção criminosa e poder público em Cabedelo
25 nov 2024 - Paraíba
Operação ‘En Passant’: PF e Gaeco investigam corrupção eleitoral e elo entre facção criminosa e poder público em Cabedelo — Foto: Divulgação
As investigações no âmbito da Operação En Passant, conduzidas pela Polícia Federal e pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), apontam para práticas de corrupção eleitoral e aliciamento violento de eleitores em Cabedelo, na Região Metropolitana de João Pessoa. A apuração revelou a suposta ligação entre a facção criminosa liderada por Flávio de Lima Monteiro, conhecido como “Fatoka”, e o poder público municipal.
Compra de votos e prisões
Durante a segunda fase da operação, deflagrada na última semana, os investigadores identificaram, por meio da análise do celular de Flávia Monteiro, ex-servidora do município, indícios de compra de votos. O dispositivo continha comprovantes de transferências via Pix e registros de votação, o que fundamentou o pedido de prisão de Flávia, aceito pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE).
Flávia é apontada como um elo entre a facção de “Fatoka” e a gestão pública municipal. Há suspeitas de que o grupo criminoso, além de influenciar a administração, cogitava lançar candidaturas ao Legislativo como forma de consolidar seu poder político.
Ligação com o tráfico e nomeações suspeitas
Na primeira fase da operação, os investigadores apreenderam listas de pessoas nomeadas em cargos públicos, muitas das quais indicadas pela facção. Algumas dessas listas continham a sigla “FTK”, referindo-se supostamente a “Fatoka”. Após a deflagração dessa fase, oito servidores foram desligados da prefeitura, incluindo Flávia Monteiro.
Fontes ligadas à investigação apontam que “Fatoka” teria fugido para o Rio de Janeiro.
A segunda fase da operação incluiu mandados de busca e apreensão contra o atual prefeito de Cabedelo, Victor Hugo (Avante), o prefeito eleito André Coutinho (Avante), e o vereador Márcio Silva (União Brasil). Em nota, os três negaram envolvimento com os crimes investigados e afirmaram estar à disposição da Justiça para colaborar com as apurações.
Como medida cautelar, o TRE determinou que os investigados não deixem a Comarca sem autorização, mantenham recolhimento domiciliar e evitem contato com outros suspeitos.
Ameaças e retaliações
A investigação revelou ainda relatos de ameaças feitas pela facção a políticos locais. Um vereador teria sido pressionado a nomear pessoas indicadas por “Fatoka” para cargos na Câmara Municipal. Ao recusar, teve a casa de familiares destruída, forçando alguns a deixarem a cidade.
O modelo de influência criminosa identificado em Cabedelo apresenta semelhanças com práticas desvendadas nas operações Território Livre e Mandare, realizadas em João Pessoa.
A Polícia Federal e o Gaeco seguem aprofundando as investigações, buscando desarticular a ligação entre a facção criminosa e a esfera pública.
O POVO PB
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