Operação ‘En Passant’: grupo ligado a traficante indicou secretário adjunto e gerente de creche na prefeitura de Cabedelo, diz PF

5 dez 2024 - Paraíba

Polícia Federal realiza operação para investigar influência criminosa nas eleições de Cabedelo, na Paraíba — Foto: Divulgação

A Operação En Passant, deflagrada pela Polícia Federal (PF) e pelo Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco), investiga indícios de aliciamento violento de eleitores e nomeações para cargos públicos feitas por pessoas supostamente ligadas ao traficante conhecido como “Fatoka”. O acusado, apontado como chefe de um grupo criminoso, encontra-se foragido.

Conforme a PF, as investigações revelaram que cargos comissionados na Câmara Municipal e na Prefeitura de Cabedelo foram ocupados por indicação de Marcela Pereira da Silva, irmã de “Fatoka”. Um dos indícios apresentados foi a descoberta da expressão “Marcela FTKA” ao lado de nomes de servidores comissionados, registrada em listas apreendidas na Secretaria de Administração da prefeitura.

Entre os cargos supostamente indicados por Marcela estão:

  • Amanda Serafim da Silva, como gerente de Juventude;
  • Luiz Carlos da Silva Lima, como secretário adjunto de Ação Governamental;
  • Maria Geovana Araújo da Silva, como assessora especial III;
  • Walquíria Oliveira da Silva, como assessora especial II.

Outras duas servidoras, Crislayne Lacerda dos Santos e Márcia da Silva Almeida, que ocupavam cargos na Secretaria de Educação, também foram relacionadas a Marcela, conforme documentos apreendidos.

No dia 18 de outubro, data da primeira fase da operação, todas as pessoas apontadas como indicadas pelo grupo foram exoneradas de seus cargos pelo prefeito Vitor Hugo (Avante). Apesar disso, a PF destacou que os ex-servidores, com exceção de Flávia Monteiro, não são alvos das investigações.

Para a PF, as exonerações no mesmo dia das buscas configuram uma tentativa de dificultar a investigação, apagando evidências e comprometendo a instrução do processo penal. Esse argumento foi utilizado para solicitar a prisão preventiva do prefeito Vitor Hugo. No entanto, o pedido não foi acatado pela Procuradoria Regional Eleitoral (PRE) nem pela desembargadora Maria Cristina Santiago, do Tribunal Regional Eleitoral (TRE).

Prefeito nega envolvimento

Após ser alvo da segunda fase da operação, o prefeito Vitor Hugo divulgou uma nota oficial negando qualquer ligação com os fatos investigados. Ele declarou que sua gestão não tem relações com o grupo investigado e atribuiu as nomeações a pedidos de vereadores ligados a “Fatoka”.

Vitor Hugo afirmou ainda que confia nas instituições e está à disposição para colaborar com as investigações. “Estou há quase sete anos trabalhando pela transformação de Cabedelo sem que nenhuma denúncia tenha comprometido a credibilidade da minha gestão”, declarou.

A Operação En Passant busca desmantelar um esquema criminoso que, segundo as autoridades, inclui aliciamento de eleitores e tráfico de influência em nomeações públicas. A ação também investiga a utilização de empresas prestadoras de serviços à prefeitura para empregar pessoas indicadas pelo grupo criminoso.

O Povo PB

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