“Ela confiava que estaria segura”, diz marido de mulher que morreu após parto no ISEA, em Campina Grande

27 mar 2025 - Paraíba

Mulher que morreu após parto no ISEA — Foto: Reprodução/Instagram (@jorge.elo)

A dor da perda de uma mãe e um filho, somada à denúncia de possível negligência médica, marcou um dos casos mais comoventes dos últimos dias em Campina Grande, na Paraíba. Maria Danielle Cristina Morais Sousa, de 31 anos, morreu na terça-feira (25) após sofrer um Acidente Vascular Cerebral (AVC) hemorrágico, três dias após o parto no Instituto de Saúde Elpídio de Almeida (ISEA), onde também perdeu o bebê e teve o útero retirado.

O caso ganhou repercussão após uma carta aberta escrita pelo marido, o professor Jorge Elô, dirigida ao prefeito Bruno Cunha Lima. No relato, Jorge descreve a dor da perda e a confiança que Danielle tinha no parto, pois seria atendida pelo mesmo médico que a acompanhou durante toda a gestação.

“Ela chorou ao ver o médico, disse que confiava estar segura”, escreveu Jorge, que também é pai do bebê.

Segundo ele, Danielle teve um trombo aos seis meses de gravidez e, desde então, fazia uso contínuo de medicação anticoagulante, prescrita pelo mesmo médico. “Essa medicação não deixou de ser aplicada nenhum dia sequer — mesmo com os braços dela roxos e doloridos. Tenho em casa todas as seringas aplicadas, que ela decidiu guardar para lembrar o quanto foi forte para tornar nosso sonho realidade”, desabafa o professor.

Na carta, ele afirma que em consulta particular feita três dias antes do parto, no dia 25 de fevereiro, mãe e bebê estavam bem. No entanto, no dia 28, durante o parto no ISEA, uma sequência de falhas teria mudado o destino da família.

Segundo Jorge, o médico que acompanhou a gestação teria deixado o plantão sem checar o estado clínico de Danielle. Ele relata ainda que uma profissional aumentou a dosagem do medicamento para induzir o parto, sem uso da bomba de infusão controlada (BIC). Após cerca de 50 minutos, Danielle desmaiou e foi levada às pressas para o centro cirúrgico. O útero já havia se rompido e o bebê nasceu sem vida.

A Prefeitura de Campina Grande, por meio de coletiva nesta quarta-feira (26), alegou que a morte da paciente não teve relação com o parto, mas sim com uma condição genética pré-existente.

A denúncia de Jorge Elô, no entanto, levanta questionamentos sobre a conduta adotada durante o parto no hospital municipal. A Secretaria de Saúde ainda não se pronunciou oficialmente sobre a carta divulgada.

 

O POVO PB

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