Justiça da Paraíba condena atriz Letícia Rodrigues por injúria racial contra colegas de trabalho
11 jul 2025 - Paraíba
Atriz Letícia Rodrigues é condenada por injúria racial contra funcionários de teatro — Foto: Divulgação
A atriz e diretora de teatro Letícia Rodrigues foi condenada pela Justiça da Paraíba pelo crime de injúria racial cometido contra três colegas de trabalho no Teatro Ednaldo do Egypto, em João Pessoa. A decisão, divulgada nesta quinta-feira (10), é da 2ª Vara Criminal da capital e apontou que as ofensas tinham caráter discriminatório e ofensivo, baseadas na raça, cor e etnia das vítimas.
Segundo a sentença do juiz Marcial Henrique Ferraz da Cruz, Letícia utilizava expressões como “olha o carvão”, “preto nasceu para ser minha mucama” e “sou rica porque sou branca, quem mandou nascer preto”. Os relatos foram feitos por funcionários que trabalhavam diretamente com a acusada no teatro, principalmente durante ensaios e atividades de rotina.
Nos autos, uma testemunha declarou ter presenciado um episódio em que Letícia, após se irritar com uma pergunta, respondeu: “vamos trabalhar que é melhor, você deve raspar minhas partes íntimas porque preto para mim só serve para ser meu mucamo”. Outra testemunha relatou que, durante os ensaios de uma peça, a atriz teria dito a um funcionário que ele “poderia fazer o macaco porque ele já tinha cara”.
Por outro lado, algumas testemunhas afirmaram que não presenciaram atitudes racistas por parte da acusada.
Letícia Rodrigues foi condenada a seis anos de reclusão em regime inicial aberto e ao pagamento de multa. Como não possui antecedentes criminais, as penas privativas de liberdade foram substituídas por restritivas de direitos, que ainda serão definidas pelo juízo de execuções penais. A decisão inclui também o pagamento das custas processuais e a expedição das guias de execução penal, além de comunicação à Justiça Eleitoral.
Em nota enviada ao O POVO PB, a atriz negou as acusações, afirmou que as denúncias teriam sido “armadas por pessoas que trabalhavam com ela” e ressaltou que, como pessoa trans e integrante da comunidade LGBT, “não poderia cometer esse tipo de crime”. Letícia confirmou que vai recorrer da decisão.
O advogado de defesa, Luiz Augusto, declarou que a cliente “sempre tratou muito bem as pessoas”, destacando inclusive que “colocava como protagonistas pessoas negras” nas produções teatrais. Segundo ele, existia intimidade entre Letícia e as vítimas, o que poderia justificar “eventuais brincadeiras sem maldade”. O advogado também afirmou que Letícia chegou a sofrer ofensas de cunho homofóbico no ambiente de trabalho.
Até a última atualização desta reportagem, a defesa confirmou que deve apresentar recurso contra a sentença. O O POVO PB tentou contato com as vítimas, mas não obteve retorno.
O POVO PB
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