Prefeito cassado de São José de Caiana decreta crise econômica e anuncia demissões em massa; oposição reage e critica má gestão

4 nov 2025 - Paraíba / Política

Prefeito de São José de Caiana, Manoel Moleque — Foto: Divulgação

O prefeito cassado de São José de Caiana, Manoel Moleque (PL), anunciou no último domingo  (1ª), que o município enfrenta uma grave crise financeira, com demissões em massa e atrasos salariais de servidores e fornecedores. Em um áudio vazado em grupo de WhatsApp, o gestor afirmou que a cidade “chegou ao colapso” e que o governo local não tem mais condições de manter os contratos temporários.

“Passando aqui para dar uma satisfação a todos vocês. Infelizmente, o nosso município chegou ao colapso. Hoje, dia 30, fizemos todas as manobras possíveis para pelo menos pagar o salário dos funcionários efetivos, porque não tínhamos dinheiro. Determinei que fossem exoneradas todas as pessoas contratadas”, declarou Moleque.

Moleque e a vice-prefeita, Adriana Marsicano, são casados por determinação da Justiça Eleitoral da Paraíba. A decisão, assinada pela juíza Hyanara Torres Tavares de Queiroz, apontou abuso de poder político e econômico nas eleições municipais de 2024, além do uso indevido da máquina pública para fins eleitorais.

Segundo a sentença, a gestão teria realizado contratações em massa e irregulares de prestadores de serviços, sem concurso público ou licitação, concentradas nos meses que antecederam o pleito. A Justiça também apontou distribuição de benefícios assistenciais como cestas básicas, kits de construção e auxílios diversos — sem critérios técnicos, o que teria comprometido a igualdade entre os candidatos.

O Ministério Público Eleitoral (MPE) corroborou as denúncias, destacando um aumento expressivo nos gastos com pessoal e assistência social no segundo semestre de 2024 e a falta de transparência nas contratações.

A ex-candidata à Prefeitura e autora da ação, Anna Karenynna Campos Fernandes Lopes, conhecida como Kaká de Marcílio (PDT), criticou o prefeito cassado e afirmou que a crise financeira é resultado de má gestão e uso político dos recursos públicos.

“O prefeito de São José de Caiana veio a público dizer que o município entrou em colapso financeiro. E eu pergunto: será que isso surpreende alguém? Há muito tempo eu vinha alertando sobre os gastos excessivos e as contratações com fins eleitorais. Agora, quem antes dizia que estava tudo bem, admite que o município quebrou”, afirmou Kaká.

Ela ainda destacou que servidores contratados estão com até seis meses de salários atrasados, além de fornecedores sem pagamento, incluindo postos de combustíveis e prestadores de serviços essenciais.

“A verdade veio à tona. O município está paralisado, a educação está um caos e a cidade, abandonada. São José de Caiana não precisava estar assim. O que faltou foi gestão, planejamento e responsabilidade com o dinheiro público”, completou Kaká.

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