Cida Ramos lembra apoio de Cícero a Bolsonaro e diz que alianças do PT na Paraíba não seguem critério rígido

21 jan 2026 - Paraíba / Política

Deputada estadual Cida Ramos (PT) — Foto: Edcarlos Santana/Arquivo

A presidente estadual do Partido dos Trabalhadores (PT) na Paraíba, deputada Cida Ramos, afirmou que o alinhamento nacional da federação formada por Progressistas (PP) e União Brasil com setores ligados ao bolsonarismo é um fator relevante na discussão interna sobre um eventual apoio à pré-candidatura do vice-governador Lucas Ribeiro (PP) ao Governo do Estado.

A declaração foi dada durante entrevista à rádio CBN João Pessoa, ao comentar a posição do deputado federal Luiz Couto (PT), que anunciou apoio pessoal a Lucas, alegando semelhança entre a agenda do vice-governador e a do presidente Lula (PT).

Segundo Cida, a leitura feita por Luiz Couto está relacionada ao cenário local e à aliança do PT com o governador João Azevêdo (PSB), mas a situação nacional da federação é um problema que precisa ser enfrentado pelo próprio Lucas.

“Essa é uma questão nacional que ainda não está resolvida. Existe uma disputa dentro da federação e isso tem impacto local. É algo que Lucas precisa resolver”, afirmou.

Cida ressaltou que, do ponto de vista conceitual, o PT não se sente confortável em apoiar candidatos vinculados a estruturas partidárias que, em nível nacional, defendem alianças com o bolsonarismo e a direita.

“O projeto central do PT é a defesa da reeleição de Lula. Então, é claro que isso pesa. O partido não se sente confortável em estar num campo político que, nacionalmente, se alinha ao bolsonarismo”, disse.

Apesar disso, a dirigente reconheceu que as alianças eleitorais no Brasil nem sempre seguem uma lógica rígida entre o plano nacional e o estadual.

“Cada federação tem um arranjo que nem sempre se aplica nos estados. Isso não acontece só com União e PP, acontece com todas”, explicou.

A presidente do PT paraibano também destacou que, se o critério for apenas o histórico de alianças com o bolsonarismo, a análise se torna complexa, já que outros nomes no cenário local também carregam contradições.

“Na Paraíba tivemos, por exemplo, comitê Bolsonaro João promovido por Cícero Lucena. Então não dá para usar um critério tão rígido”, pontuou.

PT quer palanque claro para Lula

Segundo Cida Ramos, o principal elemento que será considerado pelo partido é a definição de quem, de fato, irá construir um palanque sólido para Lula em 2026.

“O que nós queremos saber é: quem é o palanque de Lula? Quem está assumindo compromisso com o presidente nacionalmente e localmente?”, questionou.

Ela reforçou que o PT não está fazendo adesão automática a nenhum dos projetos majoritários e que qualquer aliança será condicionada a compromissos programáticos.

“Nós estamos num processo de aliança política com partidos muito diferentes do PT. E vamos colocar nossas condições: compromisso com a população, redução das desigualdades e políticas públicas reais”, afirmou.

Desigualdade e agenda social

Cida também destacou que a decisão do partido levará em conta a capacidade dos projetos em enfrentar problemas estruturais da Paraíba e do Brasil, como desigualdade social, educação e inclusão.

“O Brasil é a oitava economia do mundo, mas ainda tem desigualdade profunda. Temos crianças com deficiência fora da sala de aula, escolas sem estrutura, sem cuidadoras. É isso que precisamos discutir”, concluiu.

O POVO PB

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