Um homem foi encontrado morto na manhã desta segunda-feira (20) em uma rua do município…
VÍDEO: como o ‘home office’ do crime no Alemão tomou conta da cidade de Cabedelo, na Paraíba
10 maio 2026 - Manchete Destaque
Cabedelo sob as ordens do Rio: Como o ‘home office’ do crime no Alemão tomou conta da cidade paraibana — Foto: Divulgação
Em Cabedelo, a cidade portuária que é o coração turístico da Região Metropolitana de João Pessoa, o “bom dia” foi substituído pelo medo. A mais de 2.000 km de distância, no Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro, ordens são digitadas em tempo real para ditar quem vive e quem morre entre o mar e o rio.
Investigações da Polícia Federal e do Ministério Público revelam um cenário de filme, mas com consequências reais e dolorosas: o Comando Vermelho (CV) não apenas se infiltrou nas ruas, mas “sentou à mesa” nos gabinetes da administração pública.
O ‘Chefão’ no Home Office do Crime
O nome que faz a voz dos moradores tremer é Flávio de Lima Monteiro, o “Fatoka”. Com 43 anos e um currículo de 13 mandados de prisão, ele é o mentor da “Tropa do Amigão”. Fatoka fugiu de um presídio de segurança máxima na Paraíba em 2018, após romper uma tornozeleira eletrônica, e fez do Rio de Janeiro seu bunker.
De lá, ele opera o que a polícia chama de “home office do crime”. Através de câmeras escondidas em postes e árvores em bairros como o Jacaré, chamadas pelos bandidos de “besouros”, a cúpula no Rio monitora a movimentação da polícia e de moradores em tempo real.
“Lá na área só cai uma folha se eu disser que sim”, gaba-se Fatoka em áudios obtidos pela investigação.
Cabedelo sob as ordens do Rio: Como o ‘home office’ do crime no Alemão tomou conta da cidade paraibana — Foto: Divulgação
‘Rachadinha’ Institucionalizado
O buraco é mais embaixo. O crime organizado não se limitou a vender drogas; ele passou a gerir o dinheiro do contribuinte. Segundo o MP, a facção infiltrou mais de 100 pessoas em cargos públicos na Prefeitura de Cabedelo através de uma empresa terceirizada.
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O esquema: salários de funcionários indicados eram revertidos para a facção.
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O rombo: estima-se um prejuízo de R$ 270 milhões aos cofres públicos.
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A troca: políticos ganhavam “passe livre” em comunidades dominadas para fazer campanha, enquanto opositores eram barrados.
Quadras de esporte destruídas, hospitais funcionando de forma precária e um sentimento de abandono. Nos últimos anos, os quatro últimos prefeitos da cidade entraram na mira da justiça por suspeitas de ligação com o esquema.
Em áudios chocantes, criminosos debocham do desespero de uma moradora que teve o carro baleado: “Aí deixa de ser otário… os cara sabe que nós tá numa guerra”.
A segurança pública da Paraíba intensificou as ações, com mais de 2.500 prisões em 2025, mas o desafio é romper a barreira invisível da internet que conecta o Rio ao Litoral paraibano.
O Outro Lado
Em notas oficiais, encaminhada à TV Globo, as defesas dos ex-prefeitos Vitor Hugo, Edvaldo Neto e André Coutinho negam qualquer envolvimento com o crime organizado e afirmam que não existem provas concretas contra eles. A empresa Lemon, citada nas investigações, afirma que colabora com a justiça e que passou a exigir certidões criminais de seus colaboradores. Leto Viana não se pronunciou.
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