Uma operação da Polícia Civil da Paraíba foi deflagrada na manhã desta quinta-feira (15) para…
Operação analisou mais de 40 mil áudios e bloqueou R$ 10 milhões de grupo suspeito de usar a estrutura da Polícia Civil para fortalecer o tráfico na Paraíba
2 jun 2026 - Notícias
Polícia Civil da Paraíba — Foto: Divulgação
Uma investigação considerada uma das mais importantes dos últimos anos na Paraíba revelou um suposto esquema criminoso que teria infiltrado integrantes da própria Polícia Civil no tráfico de drogas. Segundo as autoridades, policiais investigados desviavam entorpecentes apreendidos em operações, repassavam informações sigilosas e chegavam a abastecer facções criminosas com drogas que deveriam ser retiradas das ruas.
A informação foi detalhada nesta terça-feira (2) durante coletiva concedida pelo secretário de Segurança Pública da Paraíba, Jean Nunes, e pelo delegado-geral da Polícia Civil, André Rabelo, após a deflagração da Operação Perfídus.
Entre os presos está o delegado Braz Morroni, titular da Delegacia de Crimes Contra o Patrimônio (DCCPAT), além dos investigadores Everton Rychelyson da Silva Aires, conhecido como “Bomba” ou “Bombado”, e Eduardo Jorge Ferreira do Egito, o “Mão Branca”.
Ao todo, a Justiça expediu nove mandados de prisão, 24 mandados de busca e apreensão e determinou o bloqueio de aproximadamente R$ 10 milhões em bens e valores dos investigados.
“Tiravam drogas de uma facção para entregar a outra”
Durante a coletiva, o secretário Jean Nunes classificou a operação como uma das mais impactantes já realizadas no estado.
Segundo ele, os investigados utilizavam informações privilegiadas obtidas dentro da estrutura policial para beneficiar grupos criminosos.
“Estamos falando de policiais que desviavam drogas apreendidas e voltavam a colocar esses entorpecentes nas ruas. Tiravam drogas de uma facção e repassavam para outra, alimentando novamente o tráfico”, afirmou.
A investigação aponta que parte dos entorpecentes apreendidos em operações era desviada antes mesmo de ser oficialmente registrada. Outra parcela, segundo a polícia, era retirada clandestinamente durante procedimentos posteriores, inclusive em fases que antecediam a destruição do material.
Mais de 40 mil áudios analisados
O trabalho investigativo durou mais de um ano e envolveu interceptações telefônicas, quebra de sigilos bancário, fiscal e telemático.
De acordo com as autoridades, mais de 40 mil áudios foram analisados ao longo da apuração.
As investigações tiveram início após denúncias de que drogas apreendidas por equipes policiais estariam desaparecendo e retornando ao mercado ilegal.
“É um caso que parece roteiro de filme, mas infelizmente aconteceu na vida real. Policiais que deveriam combater o crime passaram a utilizar a estrutura do Estado para favorecer organizações criminosas”, declarou o delegado-geral André Rabelo.
Outro ponto que chamou a atenção dos investigadores foi a movimentação financeira atribuída aos principais alvos da operação.
Segundo a Polícia Civil, dois dos investigados movimentaram aproximadamente R$ 5 milhões cada em contas bancárias.
As autoridades acreditam que o valor real pode ser ainda maior, considerando possíveis transações realizadas em dinheiro vivo, que ainda estão sendo apuradas.
Veja quem foi preso
Além do delegado Braz Morroni e dos dois investigadores da Polícia Civil, também foram presos:
- João Wicttor Alves de Lima;
- Brendo Roberth Fernandes Sobral;
- Paulo Ricardo Barbosa de Souza, conhecido como “Galinha”;
- José Alexandrino de Lira Júnior, o “Júnior Lira”;
- Vanessa Dantas Fernandes;
- Dankennedy Vieira Brito da Silva, conhecido como “Babau”.
Segundo a polícia, os suspeitos são investigados por integrar uma organização criminosa envolvida com tráfico de drogas, corrupção, lavagem de dinheiro e vazamento de informações sigilosas.
Nome da operação significa “traição”
O nome Perfídus faz referência à palavra latina que significa “traidor” ou “desleal”. Para os investigadores, a escolha simboliza a suposta conduta dos agentes públicos que teriam utilizado a confiança depositada pelo Estado para favorecer atividades criminosas.
As investigações continuam e novos desdobramentos não estão descartados.
O POVO PB
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